RJ: depoimentos sobre queda de aluno do 5º andar são adiados
(do Terra) Os depoimentos da psicóloga e do monitor do colégio São Bento foram adiados para esta sexta-feira. Os funcionários foram intimados para ajudar a esclarecer os motivos da queda de um aluno, de 12 anos, do 5º andar da instituição na semana passada.
Segundo o delegado-titular da 1ª DP (Praça Mauá), José Afonso Mota, não haveria tempo hábil de ouvir os funcionários da escola, já que dois casos de flagrantes chegaram à delegacia. Além disso, Mota precisava levar até a juíza da Vara da Infância e Juventude os pareceres da apuração sobre a queda do aluno.
De acordo com o delegado, o adiamento dos depoimentos em nada interfere nas investigações, que correm normalmente. "Os depoimentos deverão começar amanhã por volta das 11h. Vamos ouvir novamente o monitor que viu o J.P. se jogar, para esclarecer um ponto no depoimento dele que ainda não está bem claro. E a psicóloga da escola", disse Mota, que também pretende ouvir outros monitores do 6º andar do colégio.
Os depoimentos dos professores, de outros monitores e da família só serão coletados na próxima semana. Segundo o delegado, se for necessário, colegas de turma serão chamados para prestar depoimentos acompanhados de seus pais.
Um dos pontos que ainda precisa ser esclarecido, segundo Mota, é como o aluno saiu do 6º para o 5º andar sem ser visto por nenhum monitor. A hipótese de ter uma segunda pessoa na hora da queda já está descartada.
"Precisamos saber se ele se escondeu em algum lugar para não ser visto, antes de se jogar. Pois, de acordo com os depoimentos, nenhum monitor viu a movimentação dele. O monitor que viu ele se jogar afirmou que ele estava sozinho no ato", disse o delegado.
A mochila e o material escolar do estudante já foram periciados, e nada foi encontrado que ajudasse a polícia a esclarecer o motivo de o menino ter se jogado. Segundo Mota, a mochila e o material ficaram em poder da escola, desde o dia do acidente (28 setembro), até o dia da perícia (2 de outubro).
"No dia que realizamos a perícia no local, a direção da escola nos entregou todo o material do aluno, que estava guardado dentro de um saco fechado. Não encontramos nada que ajudasse nas investigações. Dentro da mochila havia apenas roupas, escova e pasta de dente. Os livros e cadernos estavam em sua carteira na sala de aula. Na instituição os alunos geralmente não levam o material escolar para a casa", justificou.
O delegado-adjunto, Aldrin Genuíno da Rocha, afirmou que ainda não está descartada a hipótese de bullying, mas que de acordo com os depoimentos prestados até agora, nada indica que o jovem sofria a pratica por parte dos colegas, embora ele fosse muito tímido e introspectivo.
"Os monitores descreveram ele como um menino muito calmo, tímido e introspectivo, que gostava de ficar jogando 'game' e lendo livros na hora no recreio. Segundo o depoimento deles, o J.P. não sofria nenhuma discriminação por isso, por parte dos colegas", concluiu Rocha.
A polícia está investigando ainda se houve falhas no dever da escola de vigiar e guardar seus alunos. Mas, de acordo com os delegados, a escola vem prestando todas as informações solicitadas e liberando prontamente os funcionários para prestarem depoimento.
A família e amigos, que fazem vigília na porta do hospital, preferem não falar com a imprensa. Uma pessoa próxima da família disse que nesse momento a única preocupação é com estado de saúde do aluno. Ele continua no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Municipal Souza Aguiar e seu estado é considerado muito grave.


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