Premiê da Grécia obtém crucial voto de confiança no Parlamento
(da Folha)Em uma manobra vista como crucial para garantir o acordo de ajuda financeira assinado entre a Grécia e a "troika" formada pela União Europeia (UE), Banco Central Europeu (BCE) e o FMI (Fundo Monetário Internacional), o premiê grego, George Papandreou, obteve um voto de confiança no Parlamento nesta sexta-feira por uma margem muito apertada.
Por 153 votos a favor e 147 contra, o premiê obteve apoio dos parlamentares após uma intensa semana de negociações e altos e baixos durante as discussões entre seu governo, a oposição e os europeus, que chegaram a convocá-lo para uma reunião emergencial em Cannes na quarta-feira após ele ter anunciado a ideia de propor um plebiscito sobre o pacote de ajuda --posteriormente rejeitado.
Ministro das Finanças grego, Evangelos Venizelos, é cotado para assumir o controle do país durante a fase de transição
Ministro das Finanças grego, Evangelos Venizelos, é cotado para assumir o controle do país durante a fase de transição
Em seu discurso pouco antes da votação, Papandreou deixou claro que estava disposto a entregar o cargo e dar início imediato às negociações para formar um governo de coalizão. Pouco depois, seu ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, reforçou a mensagem, indicando até a disposição de convocar eleições no fim de fevereiro, mas não imediatamente, como exigiam os líderes da oposição.
A aprovação garante ao governo a possibilidade de coninuar negociando com a "troika" o prosseguimento do plano de saneamento da dívida grega.
A queda do governo poderia impedir que a parcela de € 8 bilhões do pacote, programada para ser entregue a Atenas em novembro, não chegasse a tempo, aumentando o risco de colapso total no país, que não teria outra opção senão o "default" (calote), o que teria consequências catastróficas para a economia global.
Segundo o jornal britânico "Guardian", há indícios de que Papandreou entregará o cargo a Venizelos, que deve assumir o controle do país como primeiro-ministro, mas não deve ficar no poder até o fim do atual mandato, em 2013, mas sim convocar novas eleições no fim de fevereiro.
"É um acordo fechado. Papandreou vai propôr que Venizelos torne-se o primeiro-ministro e irá para casa", um assessor de Venizelos teria dito à Helena Smith, correspondente do jornal britânico em Atenas.
Antonis Samaras, líder da Nova Democracia, o principal partido de oposição, disse logo após o dramático discurso do premiê que "as máscaras caíram. Papandreou recusou nossa proposta. A única solução são as eleições".
Embora reconheça a necessidade de aprovar e implementar o acordo de ajuda financeira internacional, a Nova Democracia preferiria que o premiê tivesse renunciado e convocado eleições imediatas.
APELO
Mais cedo, em um momento de extrema tensão na Grécia e sob os olhares de todo o mundo, pouco antes da votação que iria reiterar sua permanência no cargo ou pressionar por sua saída --dias após ter perdido a maioria--, o premiê defendeu a medida como crucial para o futuro do país.
"Este acordo não pode ser desperdiçado, a história os julgará irresponsáveis caso isso ocorra. Ao contrário do que tem sido divulgado, os salários e aposentadorias não serão reduzidos pela metade caso o acordo seja implementado".
"Por que vocês acham que eu tenho perseguido um maior acordo com todos os partidos nos últimos meses? Porque as mudanças que estamos tentando implementar são históricas, necessitam do apoio de todas as facções", acrescentou.
No entanto, mostrou-se satisfeito com um maior reconhecimento entre os opositores quanto à importância do acordo.
O voto de confiança foi pedido na segunda-feira (31) pelo primeiro-ministro após o anúncio de um projeto de referendo sobre o plano europeu de ajuda ao país. O projeto de referendo foi abandonado oficialmente nesta sexta-feira, ante o pânico que provocou nos mercados e entre os sócios da Grécia na zona do euro.
Na quinta-feira, o governo de Papandreou perdeu a maioria absoluta no Parlamento, depois de duas deputadas socialistas anunciarem o fim de seu apoio ao Executivo. Com estas deserções, o partido governista Pasok ficou com 150 das 300 cadeiras no Parlamento de Atenas.
Na noite de quinta-feira, ele disse que estaria disposto a fazer concessões, em resposta à proposta da oposição de formar de um governo transitório para assegurar a adoção do plano de ajuda.
ENTENDA
O anúncio do premiê grego de que vai submeter o pacote de resgate a um referendo popular ameaçou intensificar a crise da zona do euro, gerou críticas de líderes europeus, derrubou as principais bolsas e levou a oposição pedir a saída de Papandreou.
A Grécia criou na quarta-feira (2) uma comissão para preparar a consulta à população, segundo anunciou o ministro do Interior, Haris Kastanidis.
"Este anúncio pegou a Europa inteira de surpresa", disse Sarkozy. "O plano é a única maneira de resolver o problema da dívida da Grécia."
O ministro alemão das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, enfatizou que as negociações sobre o plano europeu para salvar a Grécia da falência não podem ser reabertas. "O programa integral que acordamos na semana passada não pode ser colocado novamente sobre a mesa", afirmou.
Os líderes da zona do euro concordaram na semana passada em conceder a Atenas um segundo pacote bilionário e um corte de 50% em sua dívida. Em contrapartida, a Grécia deve se comprometer em continuar com uma política de cortes de gastos como privatizações, redução de empregos públicos e cortes salariais.
Papandreou disse que precisava de maior apoio político para as medidas fiscais e as reformas estruturais exigidas pelos credores internacionais. "A vontade do povo grego será imposta", disse o premiê ante o grupo de parlamentares socialistas, ao anunciar que submeteria o pacote a um referendo popular.


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