Estudantes que ocupam reitoria da USP conseguem gerador e voltam a ter luz no prédio



(do UOL) Por volta das 20h20 desta sexta-feira (4), a reitoria da USP (Universidade de São Paulo) voltou a ficar iluminada. Os manifestantes conseguiram restabelecer energia com um gerador para fornecer a energia que havia sido cortada pela direção da instituição.

A USP havia cortado o fornecimento de energia e a internet do prédio da reitoria na manhã de hoje. O prédio está ocupado desde a madrugada do dia 2 de novembro em protesto contra a presença da PM (Polícia Militar) no campus. O fornecimento de água ficou mantido, segundo a assessoria de imprensa da insitutição.
Há uma ação de reintegração de posse em curso e os manifestantes têm até 17h de sábado para deixar a edificação. Após esse período, a reitoria pode requerer uso de força policial. Segundo um estudante ouvido pelo UOL, o movimento não se considera notificado oficialmente. Segundo o oficial de Justiça Valdemir Aparecido Maciel, eles estão avisados: "a partir do momento em que eu li a notificação, eles estão oficialmente notificados", afirmou Maciel.

Até o momento, os estudantes não se manifestaram sobre ficar ou sair do prédio. Por volta das 20h, cerca de 30 estudantes da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) chegaram à reitoria da USP para "aderir ao movimento".

Alguns deles já vieram munidos de colchonetes e mochilas, com a disposição de passar a noite. Logo na entrada, um representante do movimento contra a PM (Polícia Militar) na USP já deu dois avisos: primeiro que estavam sem luz e seria necessário usar os celulares como lanternas [naquele momento, ainda não havia sido rstabelecida a energia] e, depois, que haverá uma festa hoje de noite e "tem cerveja para todo mundo".
Histórico

A reitoria da USP foi invadida na madrugada do dia 1º para o dia 2 de novembro por um grupo de estudantes que discordaram da desocupação de um prédio da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas).

A confusão na USP começou por volta de 18h30 da última quinta-feira (27), após PMs deterem três estudantes que estavam com maconha no estacionamento da faculdade de História e Geografia. Enquanto os policiais levavam os rapazes para um carro de polícia, um grupo de estudantes começou a protestar e impediu que os usuários fossem levados à delegacia.

À medida que o protesto ganhava adesões, os policiais chamaram reforços. Um delegado de Polícia Civil chegou a ir até o local. Após mais de três horas de discussão entre representantes da polícia, estudantes e professores, começou a confusão. Os estudantes gritavam palavras de ordem contra a presença da polícia e exibiam livros de autores de esquerda como forma de protesto.

A tensão entre as duas partes cresceu até o momento em que um estudante lançou um cavalete em direção aos policiais. Irritados, os agentes partiram para cima dos estudantes que estavam perto dos carros de polícia, agredindo-os com cassetetes, bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha. Alguns estudantes revidaram atirando pedras. Estudantes e professores ficaram feridos.

Por volta de 22h do mesmo dia, cerca de 500 estudantes reunidos em assembleia decidiram, por 205 votos contra cerca de 190, ocupar o prédio da administração da faculdade.

Na terça (1º), cerca de 300 alunos favoráveis à PM na USP fizeram um ato dentro do campus. Na segunda, outros 300 estudantes e funcionários contrários à PM fizeram um protesto no campus e fecharam a rua Alvarenga, que fica em frente ao portão principal da USP.
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