(do UOL) Além do apreço que Dilma tem pelo deputado, dar
o MEC a Chalita tiraria o peemedebista do caminho
de Fernando Haddad, atual ministro da pasta, na
disputa paulistana.
“Há um foco, um sonho, um objetivo, uma meta
que é a Prefeitura de São Paulo. A gente não
colocou a candidatura para negociar outros
cargos. É uma decisão do partido e minha, de que
vale a pena entrar nessa disputa eleitoral,
apresentando uma proposta nova para a cidade
de São Paulo. Não tem outra proposta que me
retire dessa disputa”, disse Chalita.
O deputado deixou o PSB e se filiou ao PMDB em
junho deste ano a convite do vice-presidente
Michel Temer, que, para convencê-lo da troca,
ofereceu a candidatura à Prefeitura de São Paulo.
O desejo dos peemedebistas é reerguer o partido
em São Paulo após a “destucanização” da sigla,
que até a morte de Orestes Quércia, em dezembro
passado, era um dos últimos redutos de resistência
do PMDB à aliança com o PT.
Atualmente, o partido possui apenas cinco
deputados estaduais e não tem nenhum vereador
na capital paulista. A meta de Chalita é eleger 12
vereadores em São Paulo. Para tanto, trouxe à
legenda um grupo de amigos, como o médico
Osmar de Oliveira, o cantor Moacyr Franco, o
radialista Nelo Rodolfo, além de Eduardo Saba e
Leila Navarro, dois gurus de palestras de
autoajuda, assim como o deputado.
Aliança até com Maluf
Do DEM ao PCdoB, passando pelo PDT de Paulinho
da Força e o PR de Valdemar Costa Neto, Chalita e
Temer não descartam qualquer aliança. O
deputado, inclusive, teve um jantar em setembro
com o colega de Câmara Paulo Maluf (PP) para
discutir o pleito de 2012. “Nesse momento, todos
os pré-candidatos estão conversando com os
partidos. É uma eleição que fundamentalmente
precisa de tempo de televisão.”
Questionado se sua imagem, tão cultivada, poderia
ser afetada em uma aliança com o ex-prefeito de
São Paulo, Chalita justifica que em uma eleição
majoritária não se deve restringir alianças. “O
eleitor sabe compreender o que significa os
aliados. Quem quer ganhar uma eleição majoritária
não pode falar assim ‘esse aqui não chega perto de
mim porque eu não quero o apoio dessas
pessoas’. Cada voto é sagrado”, afirma.
Para o PT, a eleição de Chalita não seria
necessariamente um mau negócio, já que teria um
aliado no comando da maior cidade do país, após
oito anos de domínio de opositores. Mas, na
avaliação dos petistas, o deputado disputaria os
mesmos eleitores que Haddad, já que ambos têm
perfis semelhantes --construíram carreira na
educação, são relativamente novos e nunca
disputaram cargos majoritários.
Em setembro, o ex-presidente Lula convidou
Chalita --cuja assessora é Lurian Cordeiro, filha de
Lula-- para uma conversa no Instituto Cidadania,
supostamente para tentar convencê-lo a desistir da
candidatura. Tanto o deputado, quanto o petista
negam. Uma nova conversa entre ambos estava
marcada para este mês, mas pode ser adiada em
razão do câncer recém-diagnosticado em Lula.
Críticas ao Enem
Embora evite críticas a Haddad, de quem se diz
amigo, Chalita defende que o Enem (Exame
Nacional do Ensino Médio) seja repensado, após
sofrer problemas de segurança e vazamento de
questões nos últimos dois anos.
“O Enem é uma avaliação importante para o Brasil,
que mexe com os sonhos, com as expectativas de
muitos jovens, muitas famílias, e teve problemas.
Não é culpa do ministro ou da equipe. Mas é um
fato”, afirma.
“Será que é bom uma única prova, uma vez por
ano? Será que essa prova não regionalizada,
nacional, é melhor do que se a gente tivesse um
Enem regionalizado? Ou pelo menos que houvesse
essa avaliação no primeiro, segundo e terceiro
ano? Outro problema é o ‘ranqueamento’ de
escolas via Enem, que é uma coisa que todos nós
educadores criticávamos no vestibular. Corremos o
risco de as escolas hoje só prepararem para o
Enem. O Enem como ranqueamento não é bom. E
uma vez por ano só também não é o ideal. O Enem
precisa evoluir” , disse.
Troca-troca de partidos
Em duas décadas de vida política, Chalita, 42,
trocou de partido três vezes, duas delas nos
últimos dois anos. Aos 18 anos, ingressou no PDT,
segundo ele após contato com o antropólogo e
educador Darcy Ribeiro.
Por influência do ex-governador Franco Montoro,
entrou no PSDB, sigla que abandonou em 2009
após desavenças com o grupo de José Serra --
Chalita integrava a ala de Alckmin, de quem foi
secretário da Educação entre 2002 e 2006-- e por
desejar apoiar Dilma nas eleições presidenciais de
2010.
“O grupo mais ligado a Serra começou a ter uma
postura muito ruim com as pessoas que estavam
nesse outro lado. Isso foi me cansado porque eu
achava que o mesmo partido não deveria ter essa
guerra que repercutisse de uma forma ruim na
ação das políticas públicas”, diz.
O deputado, então, foi para o PSB, onde se elegeu
deputado federal no ano passado, o segundo mais
votado do país --atrás apenas de Tiririca. Durante a
campanha de Dilma, atuou na linha de frente no
combate ao discurso religioso antigay e antiaborto,
conquistando admiração de petistas.
Chalita afirma ter deixado o PSB por não ter tido
espaço na sigla e pelo fato de o diretório paulista
do partido adotar linha política diferente da
nacional. “Não me dei bem no PSB. Fui para lá
muito inspirado na Erundina, que é uma das
grandes figuras da ética da política brasileira, mas
não era o partido que eu imaginava”, lamenta.
Patrimônio multiplicado
Entre 1998 e 2010, Chalita aumentou seu
patrimônio de R$ 741 mil para mais de R$ 12
milhões. Segundo ele, a multiplicação das riquezas
foi fruto de heranças que recebeu de seu pai, das
empresas que tem, das palestras motivacionais que
dá, do trabalho como professor --Chalita leciona na
PUC (Pontifícia Universidade Católica), Mackenzie e
deu aulas na FMU, todas em São Paulo--, além dos
63 livros que publicou, que vão da literatura
infanto-juvenil até filosofia, passando por temas
como autoajuda, cristianismo e educação. O
deputado ainda apresenta programas semanais na
emissora católica “Canção Nova” .
“Eu sou autor de livros infanto-juvenis . Quem
escreve literatura infanto-juvenil acaba tendo uma
quantidade muito grande de livros. Um livro infantil
dá para escrever em um tempo mais reduzido. Não
tem uma demanda muito grande. Geralmente
reservo o mês de janeiro para escrever. Cada livro
tem uma forma para escrever. O 'Vivendo a
filosofia' demorei dois anos para escrever e o 'Beijo
do Papagaio', que fiz em parceria com o Maurício
de Sousa demorei uma viagem de avião”, relembra.
Uma das obras de Chalita, “Gentileza” , causou
polêmica não pelo seu conteúdo, mas pela forma
como foi veiculada: no primeiro semestre deste
ano, ao longo de várias semanas, mensagens
retiradas de trechos do livro, acompanhadas da
imagem de Chalita, foram exibidas via TV Minuto
(do Grupo Bandeirantes) em linhas do metrô da
capital paulista --por onde circulam mais de 3
milhões de passageiros diários. O “chefe- maior” do
Metrô é o governador Geraldo Alckmin, amigo
pessoal do deputado.
Chalita afirmou que as mensagens foram cedidas
gratuitamente por ele e pela editora a uma agência
de publicidade contratada pela TV. Após
reportagem da “Folha de S.Paulo”, o governador
ordenou que as mensagens fossem retiradas da
programação. O deputado, no entanto, não vê
imoralidade no episódio, apesar de ser pré-
candidato.
“Não acho que as pessoas que veem uma frase de
gentileza vão lincar aquilo com uma candidatura a
prefeito de São Paulo. Estamos distantes do
processo eleitoral. Isso não interfere em absoluto
no resultado de quem vai ganhar a eleição” ,
defende-se Chalita.


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