(do UOL) O presidente da Itália, Giorgio
Napolitano, anunciou que o primeiro-
ministro Silvio Berlusconi vai
renunciar ao cargo. Pouco depois do
anúncio da Presidência, o premiê
confirmou que deverá colocar o cargo
à disposição quando forem
aprovadas as reformas econômicas
exigidas pela União Europeia (UE). A
aprovação da nova lei do orçamento
para 2012, já com as emendas
exigidas pela
União Europeia , era esperada para o
fim deste mês, mas poderá ser
antecipada.
Em comunicado, o presidente italiano
disse que Berlusconi “estava
consciente das consequências da
votação do Parlamento nesta terça, na
qual sua coalizão de centro-direita
não conseguiu assegurar a maioria”.
O resultado, segundo a nota,
indicaria a “urgente necessidade” de
aprovar a nova lei orçamentária.
Quando isso ocorrer, diz o texto, o
primeiro-ministro deixará o cargo e o
chefe de Estado “procederá com as
consultas necessárias, com máxima
atenção às posições e propostas de
todas as forças políticas”.
Nesta terça (8 ), as contas do Estado
foram aprovadas com 308 votos a
favor, sem alcançar a maioria absoluta
de 316 deputados no plenário. O
resultado representou um forte revés
para o premiê italiano, que disse ter
sido alvo de “traição” .
Anotações que teriam sido feitas por
Berlusconi durante a votação e foram
divulgadas pela imprensa italiana,
pode-se ler: “tome nota” e, entre
parêntesis, “apresente a demissão”.
Outra anotação dizia “308 (8 )
traidores” e ainda a frase: “reviravolta
política” . No final do texto, aparece
escrito “presidente da República” e
“uma solução”.
Resistência
O anúncio da renúncia de Berlusconi
vem a público depois de o premiê ter
resistido a mais de 50 votos de
confiança. No entanto, a crise
econômica na Itália, que viu o seu
nível de endividamento atingir um
patamar recorde nos últimos dias,
exerceu pressão maior para a
decisão.
Nesta segunda- feira (7) , os
rendimentos dos títulos de referência
do governo italiano subiram a 6,67%,
maior nível desde 1997. Muitos
analistas dizem que taxas de juros
acima de 7% tornariam insustentáveis
os custos de financiamento da
enorme dívida pública da Itália, uma
das mais altas do mundo. Durante o
final de semana, diversos grupos
convocados pelo Partido Democrata,
principal força de oposição do
governo italiano, realizaram protestos
contra o premiê, que vê a sua
popularidade desabar. Os slogans
mais repetidos pelos manifestantes
eram "vergonha" e "renúncia",
motivados pela declaração do premiê
de que a crise econômica no país
"não é forte" porque "todos os
restaurantes e aviões estão cheios".
Sem apresentar reformas necessárias
para lutar contra o à crise, Berlusconi
foi perdendo apoio de parlamentares
importantes, como Alessio Bonciani e
Ida D' Ippolito, que passaram a fazer
parte do grupo da União de
Democratas-Cristãos de Centro (UDC),
e Roberto Antonione, que anunciou
sua intenção de deixar o PdL (o
partido governista Povo da Liberdade)
e garantiu que não irá mais votar a
favor de uma hipotética questão de
confiança ao governo. Dessa vez, até
o Umberto Bossi, líder da Liga do
Norte um dos principais aliados de
Berlusconi, pediu a saída do premiê.
Quando Berlusconi deixar o cargo,
seu substituto deverá ser o ex-
ministro da Justiça Angelino Alfano.
Ele foi nomeado para o cargo em
junho, após a derrota de Berlusconi
nas eleições regionais, mas
pediu demissão pouco mais de um
mês após assumir a pasta, tendo em
vista uma possível candidatura ao
cargo de primeiro-ministro nas
eleições de 2013. No entanto, ele
alegou que a demissão era devida à
"incompatibilidade" de atribuições, já
que ele também ocupava o cargo de
secretário político PdL.
Derrota
No primeiro semestre deste ano, o
chefe de governo viveu uma
surpreendente derrota eleitoral nas
eleições regionais, perdendo inclusive
em Milão, considerado um reduto do
berlusconismo há duas décadas.
Berlusconi foi eleito em 2008 e
cumpria o seu terceiro mandato como
primeiro-ministro , com fim em 2013.
Curiosamente, já havia afirmado que
não seria candidato ao cargo de
primeiro-ministro em 2013. "Aos 77
anos, não posso voltar a ser primeiro-
ministro. Não é que eu vá renunciar,
embora tenha tanta vontade de fazer
isso, mas, de todas as maneiras, não
serei o candidato a presidente", disse
ele em uma entrevista ao jornal "La
Repubblica", em julho deste ano.
Mesmo com tanta vontade, o premiê
tentou a todo o custo não sair de
cena.


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