Médicos fazem protesto por melhores salários em São Paulo, no Rio e no Paraná

Médicos de São Paulo "enveloparam"
a sede da Associação Paulista de
Medicina (APM) , no bairro da Bela
Vista, em São Paulo, com a bandeira
do Brasil na manhã desta terça-feira
(25). O ato, que contou com a
execução do Hino Nacional, é parte
do "Movimento Saúde e Cidadania em
Defesa do SUS", uma mobilização por
melhores condições e melhor
remuneração na saúde pública.
Em pelo menos 21 Estados, houve
protestos ou suspensão do
atendimento em unidades de saúde,
com participação de 100 mil
profissionais, segundo os
organizadores do movimento - o
Conselho Federal de Medicina (CFM),
a Associação Médica Brasileira (AMB)
e a Federação Nacional dos Médicos
(Fenam) .
De acordo com as entidades, o
atendimento a casos de emergência e
urgência estão sendo mantidos em
todo o país.
No Estado de São Paulo, consultas
eletivas foram suspensas nos
hospitais Emílio Ribas, Servidor
Público Estadual e no Hospital das
Clínicas de Ribeirão Preto. O
movimento conta com o apoio da
Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB) e do Instituto de Defesa do
Consumidor (Idec), entre outras
entidades.
No Rio de Janeiro, profissionais
estenderam faixas em frente à
Assembleia Legislativa do Rio de
Janeiro (Alerj) como parte da
mobilização.
No Paraná, houve um ato público na
Boca Maldita, no centro de Curitiba,
com a distribuição de panfletos sobre
a precariedade da saúde pública.
“Paralisar nossas atividades iria
prejudicar aquele pelo qual estamos
lutando na tentativa de melhorar a
situação, que é o próprio paciente”,
justificou o presidente do Conselho
Regional de Medicina do Paraná
(CRM-PR ), Carlos Roberto Rocha,
ressaltando que a categoria defende
a melhoria no atendimento no SUS.
Para isso, segundo o presidente, é
necessário melhorar a gestão e
aumentar os investimentos da rede
pública de saúde. No Paraná, pouco
mais da metade dos cerca de 19 mil
médicos do estado atendem no SUS.
De acordo com Rocha, as condições
precisam ser melhoradas com
urgência principalmente nas cidades
do interior. Segundo ele, 72% dos 300
mil médicos do Brasil trabalham nas
regiões Sul e Sudeste. As regiões
Norte, Nordeste e Centro-Oeste são
atendidas por apenas 28% dos
médicos, informou.
A Federação dos Hospitais e
Estabelecimentos de Serviços de
Saúde no Estado do Paraná, o
Sindicato dos Hospitais e a
Associação do Hospitais do Paraná
manifestaram, em nota divulgada
hoje, solidariedade à mobilização dos
médicos e ressaltaram o engajamento
ao movimento nacional em defesa de
uma nova realidade para o SUS.
Salários e falta de leitos
Segundo os organizadores, a média
do salário-base do médico que
cumpre jornada de 20 horas
semanais, sem considerar
gratificações, é de R$ 1.946 ,91,
oscilando de R$ 723,81 a R$ 4.143 ,67
dependendo da unidade da
federação. A Fenam defende um piso
baseado em uma lei federal de 1961
que garantia, na época, que o piso
fosse o equivalente a três salários
mínimos. Assim, em valores atuais, o
piso seria de R$ 9.188 ,22.
Outra queixa é a falta de leitos
hospitalares - entre 1990 e 2011, o
país teria perdido 203 mil leitos.
Segundo os médicos, houve perda na
distribuição geral dos leitos do SUS
em todas as regiões, exceto no Norte,
onde teria havido variação positiva de
3.213 leitos. Em 20 Estados, a média
de leitos de UTI por habitante fica
abaixo da nacional, que é de 1,3 .
Além disso, argumenta o CFM, o
Brasil perde dos vizinhos Argentina,
Uruguai e Chile, quando comparado
o investimento per capita na área.
*Com informações da Agência Estado
e da Agência Brasil.
UOL

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