(da BBC) No dia em que mais mortes foram registradas na
Síria , o Conselho de Segurança da ONU aprovou
nesta quarta- feira uma resolução condenando o
presidente Bashar al -Assad pela violenta repressão
às manifestações pró -democracia no país.
O texto foi aprovado pelo órgão, formado por 15
países -membros da ONU , inclusive o Brasil , e
condena a " violação generalizada dos direitos
humanos e o uso da força contra civis pelas
autoridades sírias ".
O Líbano, que está na esfera de influência da Síria,
decidiu se desassociar do texto final, lançando
mão de um procedimento que não era usado no
órgão havia décadas .
Represálias
A ONU também pede " o fim imediato de toda
violência " na Síria e chama as partes a " agir com
máxima moderação e se abster de represálias ,
incluindo ataques contra instituições do Estado ".
Esta foi a primeira resolução condenando a
repressão dos protestos por parte do regime de
Assad .
Segundo a correspondente da BBC na sede da
ONU Barbara Plett, o documento é mais brando do
que queriam os países europeus que integram o
conselho .
No entanto, de acordo com Plett, o texto é mais
forte do que se esperava , diante da forte recusa
de outros membros em condenar o regime sírio.
Nesta semana, o Brasil divulgou uma nota
registrando "indignação " diante da escalada da
violência no país.
' Pilhas de corpos '
Tropas e tanques sírios teriam avançado nesta
quarta -feira para o centro da cidade de Hama,
segundo testemunhas , colocando fim a semanas
de protestos contra o governo .
Ativistas de direitos humanos afirmam que mais de
cem pessoas morreram apenas no último fim de
semana em Hama, cidade que já estava sitiada
pelo Exército.
Testemunhas disseram que boa parte da cidade
está sitiada é que há corpos empilhados pelas
ruas . Também há relatos de que famílias que
tentavam deixar a cidade eram baleadas e
obrigadas a retornar .
Pessoas que conseguiram fugir disseram que a
situação é pior do que nos anos 1980 , quando o
então presidente Hafez Assad, pai de Bashar,
deixou pelo menos 10 mil mortos na repressão a
protestos.
Jornalistas estrangeiros raramente têm acesso aos
acontecimentos do país, tornando difícil confirmar
as informações passadas por testemunhas e
ativistas da oposição .
" O regime está aproveitando que o foco da mídia
está no julgamento de Hosni Mubarak ( que
começou nesta quarta -feira no Egito ) para acabar
com a nossa cidade " , disse um morador de Hama
à agência Reuters, por meio de um telefone por
satélite .
A comunicação com a cidade foi completamente
cortada, assim como o fornecimento de água e
energia.


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