Familiares de vítimas do voo 447 consideram relatório inconclusivo

(do DC) O presidente da Associação de
Familiares de Vítimas do Voo 447,
Nelson Faria Marinho, não viu grande
novidade no relatório divulgado hoje
com informações sobre o acidente
com o Airbus A-330.
— Esse documento fala muita coisa e
não diz nada. Não é novidade que o
pitoto deu defeito. Saber que a queda
ocorreu em três minutos e meio não
muda nada — afirmou. — O que vai
valer é o relatório final — acrescentou.
Marinho, que perdeu o filho Nelson
no acidente, insiste para que o
conteúdo da caixa preta seja avaliado
por técnicos de um país neutro, para
garantir a isenção do relatório. Ele já
pediu, mas ainda não foi concedida,
uma audiência com a presidente Dilma
Rousseff para cobrar maior
participação do Brasil na investigação.
— O Tratado de Chicago garante que
o País mais perto do local do acidente
participe da investigação. Se o Brasil
estivesse presente, não levariam a
caixa preta — afirmou.
Já Maarten Van Sluys, irmão da
funcionária da Petrobrás Adriana, que
estava a bordo, critica o caráter
inconclusivo do documento divulgado,
já que não aponta os responsáveis
pelo acidente. E disse que o relatório
demonstra uma preocupação do BEA
de não culpar os pilotos.
— Recebi e-mail de um dos líderes do
sindicato dos pilotos da ativa na
França e ele já me dizia ontem que
havia um alerta muito sério de que
haveria represália se os pilotos fossem
responsabilizados no relatório —
disse.
Para a jornalista Renata Mondelo
Mendonça, que perdeu o marido, o
engenheiro da Vale Marco Antonio
Mendonça, o dia foi de angústia.
— O relatório tem conversas cortadas.
Talvez tenham tentado preservar as
famílias para a gente não imaginar o
desespero e o horror que eles
passaram. Mas o avião caiu em três
minutos e meio; a cabine não
despressurizou. O que para a gente é
desesperador é saber que eles
sentiram que o avião estava caindo
— resumiu.

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