Tropas avançam em cidades do norte da Síria

(do Estadão) Tropas sírias estão avançando, em
tanques e comboios, para duas
cidades no norte do país, que vive
uma forte onda de protestos
antigoverno.
As forças de segurança entraram em
Khan Sheikhun e Maarat al-Numan,
município entre Damasco e Aleppo,
segundo imagens mostradas pela TV
estatal nesta quinta.
No mesmo dia, o secretário-geral da
ONU, Ban Ki-moon, pediu que a Síria
cesse o derramamento de sangue e
"pare de matar seu próprio povo".
As Nações Unidas estimam que ao
menos 1,1 mil pessoas tenham
morrido em atos de repressão nos
últimos três meses no país.
Imagens da TV estatal mostraram
fotos dos avanços das tropas sírias,
cuja missão anunciada é combater
"organizações terroristas armadas".
Autoridades afirmam que o plano é
levar a cabo uma "operação militar
limitada" em Maarat al-Numan, para
"restaurar a segurança" no local.
O ativista de direitos humanos
Mustafa Osso disse à agência
Associated Press que ao menos 300
pessoas estavam sendo detidas
diariamente na região.
Há relatos também de tropas abrindo
fogo nos arredores da cidade, mas
nenhuma morte foi confirmada.
Grupos de direitos humanos dizem
que milhares de residentes fugiram
das duas cidades ao saber da
chegada das forças de segurança,
possivelmente aumentando o êxodo
de sírios rumo à Turquia, onde têm
buscado abrigo contra os conflitos.
O chanceler turco, Ahmet Davutoglu,
disse que levará assistência
humanitária aos refugiados.
Investigadores da ONU, que foram
proibidos de entrar na Síria, acreditam
que até 10 mil pessoas tenham sido
detidas no país por atos de oposição
ao governo.
Damasco afirma, de seu lado, que
cerca de 120 agentes de segurança
foram assassinados durante os
protestos populares.
Ao mesmo tempo, em Jisr al-Shughour
(noroeste), palco de fortes confrontos
nos últimos dias, as autoridades
pediram à população em fuga que
regresse à cidade, agora sob controle
das forças de segurança.
Mais de 8 mil sírios fugiram de Jisr al-
Shughour durante os conflitos,
buscando abrigo na Turquia.
As autoridades locais afirmam que a
cidade de cerca de 100 mil habitantes
- foco de grandes manifestações
antirregime - está voltando à rotina,
mas que unidades do Exército ainda
estavam presentes, perseguindo
"militantes".
Como a Síria proíbe a entrada de
jornalistas estrangeiros no país, os
relatos não podem ser checados de
forma independente.
Pressão
No campo diplomático, potências
ocidentais continuam em campanha
para levar ao Conselho de Segurança
da ONU uma resolução condenando a
repressão na Síria, mas enfrentam
oposição da Rússia e da China, ambas
com poder de veto no CS.
O presidente sírio, Bashar al-Assad,
tem nos atuais protestos seu maior
desafio em 11 anos de governo. As
manifestações contra seu regime, que
começaram no sul e se espalharam
para o norte do país, ameaçam tomar
força no leste sírio, próximo à
fronteira com o Iraque.
Também nesta quinta, a TV estatal
noticiou que Rami Makhlouf, primo de
Assad e importante empresário das
áreas de telecomunicações,
construção civil e petróleo na Síria,
pretende abandonar seus negócios e
supostamente doar os lucros a ações
de caridade.
A declaração de Makhlouf - que está
entre as autoridades sírias listadas em
sanções impostas pela União Europeia
- demonstra que o círculo próximo a
Assad está sob pressão crescente,
relata o correspondente da BBC em
Beirute Jim Muir. BBC Brasil - Todos os
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por escrito da BBC.

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