Saída de Palocci foi perda para o País, diz Lula

(do Estadão) CURITIBA - O ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-
feira, 9, em Curitiba, acreditar que a
saída do ex-ministro-chefe da Casa
Civil da Presidência da República,
Antonio Palocci, foi uma perda para o
País. "Não é todo País que tem um
quadro político da competência do
Palocci", afirmou em tumultuada
entrevista na saída de um encontro
com mulheres catadoras de lixo. Mas
acentuou que a presidente Dilma
Rousseff "tomou uma atitude no
momento correto" ao chamar para o
lugar a senadora paranaense Gleisi
Hoffmann (PT).
"Acho a Gleisi uma figura
excepcional", afirmou. "Eu conheço a
Dilma e conheço a Gleisi e acho que
elas vão fazer muita coisa nesse País."
No encontro com cerca de 300
mulheres catadoras de lixo, o ex-
presidente foi recebido com gritos de
"Lula eu te amo" e fez referência à
presidente Dilma por três vezes. Ele
iniciou dizendo que se a presidente
não tivesse compromisso ou se tivesse
sido convidada com antecedência
"com certeza" estaria ali. "Mas aqui
também está ausente hoje uma das
pessoas que mais insistiu para que eu
viesse aqui, que era a nossa querida
senadora, que hoje virou ministra,
Gleisi Hoffmann", lamentou.
Lula citou uma das principais
reivindicações das catadoras, a
proibição de incineração de material
reciclável,e afirmou estar disposto a
participar da "batalha". "Eu estou mais
disponível agora do que quando era
presidente da República", disse. Sob
aplausos, o ex-presidente ressaltou
ter voltado à sua "origem". "Eu dizia
para vocês que eu sei de onde eu vim
e sei para onde vou, portanto a
mesma mão que cumprimenta um rei
ou uma rainha é a mesma mão que
cumprimenta uma catadora de papel",
afirmou.
Ele reforçou ter deixado a Presidência
da República, mas não seus
compromissos. "Se antes vocês
tinham um presidente da República,
agora vocês têm um ex-presidente e
uma presidenta com a mesma
vontade, com a mesma disposição
para fazer", disse. "Podem contar
comigo em qualquer circunstância
que estarei junto com vocês." E fez um
apelo para que prefeitos e
governadores privilegiem as
cooperativas de catadores de papel.
"Hoje posso falar coisas para prefeitos
e governadores que não podia falar
quando era presidente porque tinha
que respeitar os entes federais",
afirmou. "Hoje sou um cidadão
brasileiro livre." Para encerrar utilizou
as mesmas palavras dos discursos
eleitorais: "Um abraço e até a vitória,
se Deus quiser".
Battisti. Questionado sobre a decisão
do Supremo Tribunal Federal
favorável à permanência
do italiano Cesare Battisti no Brasil, o
ex-presidente preferiu apenas
comentar que se trata de "decisão da
Suprema Corte". O ex-ativisita teve a
liberdade concedida por 6 votos a 3,
em julgamento realizado nessa
quarta-feira, 8. Com o resultado, a
Corte manteve a decisão de Lula,
quando ainda era presidente, de não
extraditar Battisti.

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