(do Uol)A aposentada Sônia Cacace, 69,
abdicou do conforto do carro
particular pela praticidade do táxi há
dois anos.
"Como rodo pouco, o custo para
manter um automóvel sai mais caro.
Minhas oito colegas também fizeram
o mesmo. Hoje, nem o trânsito
caótico me estressa tanto", relata
Cacace, que diz aproveitar melhor o
tempo ocioso no banco do
passageiro.
A pedido da Folha, Samy Dana,
professor de finanças pessoais da
Fundação Getulio Vargas, comparou
os custos anuais para manter um
carro e para andar de táxi.
Os cálculos do professor da FGV
mostram quando é vantagem vender
o carro e ir (ou ligar) para o ponto.
Para quem roda até 15 km por dia
entre ida e volta (do trabalho, por
exemplo), o táxi sai (1%) mais barato
do que manter um veículo de R$ 40
mil (preço médio dos carros novos
vendidos no país).
O custo anual para rodar
aproximadamente 5.500 km com
carro particular é de cerca de R$
17.300. Isso quando o dono arca com
combustível e todas as taxas, como
inspeção, seguro e estacionamento. A
depreciação do veículo também está
inclusa_o Datafolha calcula que o
carro perca 7% do valor ao ano.
"Considerei ainda que o valor de um
carro médio aplicado renderia R$ 300
por mês. Isso custearia quase uma
semana de táxi em trajetos curtos",
calcula Dana.
Quando a comparação é feita com
um modelo "popular", de R$ 25 mil e
com motor 1.0, que é mais
econômico, o táxi só compensa para
quem roda até 10 km por dia.
Nesse caso, o custo anual para
percorrer 3.600 km seria de R$
12.463_R$ 10 a menos do que com o
carro.
Isso porque a tarifa de táxi na capital
paulista é cara, apontam especialistas.
Custa quase o dobro da de Buenos
Aires, por exemplo.
Em São Paulo, além dos R$ 4,10
iniciais, paga-se mais R$ 2,50 por
quilômetro rodado. Após as 20h e
aos domingos, esse valor aumenta
30%.
Mesmo assim, o arquiteto de
informação Avi Alkalay, 37, resolveu
vender o segundo carro. "A cidade
não comporta mais esse luxo."
A naturóloga Fernanda Leme, 27,
desistiu de seu carro particular para
aderir ao táxi após a Lei Seca, de
2008.
"Passei a usar táxi para ir às baladas e
vi que era vantajoso, porque os
estacionamentos estão muito caros."
COLETIVO
Para o especialista em engenharia de
tráfego Sérgio Ejzemberg, tanto faz
usar táxi ou carro --porque o veículo
individual vai ocupar o mesmo
espaço na rua.
A solução mais adequada é o
transporte coletivo, como o metrô. "As
pessoas só desistirão do carro
quando houver um transporte
coletivo decente --com o mínimo de
conforto", diz.


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