Israel abre fogo em fronteiras para deter marcha de palestinos

(do G1) As forças israelenses abriram fogo
neste domingo (15) nas fronteiras de
Israel com a Síria, o Líbano e a Faixa
de Gaza, deixando mortos e feridos,
enquanto palestinos lembravam a
fundação de Israel em 1948, evento
que qualificam de 'catástrofe' - 'Nakba'.
Tropas israelenses dispararam contra
manifestantes para impedir que
multidões atravessassem as fronteiras
de Israel, no confronto mais mortífero
desse tipo em anos. Segundo a
agência Reuters, citando fontes de
segurança libanesas, 10 pessoas
morreram no Líbano.
Relatos da mídia israelense e síria
disseram que disparos de Israel
mataram quatro pessoas depois de
dezenas de refugiados palestinos
vindos da Síria terem infiltrado as
Colinas de Golã, ocupadas por Israel,
ao longo de uma fronteira disputada
mas que está calma há décadas.
O primeiro-ministro Benjamin
Netanyahu disse que esperava que a
calma fosse restabelecida rapidamente
nas fronteiras israelenses após a
morte de manifestantes. "Esperamos
que a calma seja restabelecida
rapidamente, mas que ninguém se
engane, nós estamos determinados a
proteger nossas fronteiras e nossa
soberania", disse ele em um rápido
discurso transmitido na TV.
Manifestantes sírios
cruzam a fronteira
com Israel na região
da vila druza de
Majdal Shams, nas Colinas de Golã
(Foto: Jalaa Marey/Reuters)
Na tensa fronteira sul de Israel com a
Faixa de Gaza, segundo paramédicos,
disparos israelenses feriram 60
palestinos quando manifestantes se
aproximaram da barreira entre Israel e
o enclave comandado pelo Hamas.
Tel Aviv
Em Tel Aviv, o centro comercial de
Israel, um caminhão conduzido por
um israelense árabe foi jogado contra
veículos e pedestres, matando um
homem e ferindo 17 pessoas. A polícia
estava tentando determinar se o
incidente foi um acidente ou um
ataque. Testemunhas disseram que o
motorista, que foi preso, se
descontrolou com o caminhão no
meio do trânsito do centro da cidade.
As forças de segurança de Israel
estavam em alerta contra violência
neste domingo, o dia em que os
palestinos lembram o 'Nakba', ou
catástrofe, da fundação de Israel em
uma guerra de 1948, quando centenas
de milhares de palestinos fugiram ou
foram forçados a abandonar suas
casas.
Golã e Síria
No povoado druso de Majdal Shams,
nas Colinas de Golã - capturadas da
Síria por Israel em 1967-, o major
Dolan Abu Salah disse que entre 40 e
50 manifestantes do Nakba vindos da
Síria passaram à força pela barreira da
fronteira.
Centenas de manifestantes invadiram
o fértil vale verde que marca a área da
fronteira, agitando bandeiras
palestinas. Tropas israelenses
tentaram consertar a barreira rompida,
disparando contra o que o Exército
descreveu como infiltradores.
A Síria abriga 470 mil refugiados
palestinos, e em anos anteriores sua
liderança, que agora enfrenta
turbulência interna aguda, impediu
manifestantes de chegarem à cerca da
fronteira.
Cisjordânia
Em um protesto de Nakba na
Cisjordânia ocupada, jovens palestinos
atiraram pedras contra soldados de
Israel, que dispararam gás
lacrimogêneo e balas de borracha em
um enfrentamento no posto de
inspeção militar nos arredores da
cidade de Ramallah, local de tensões
frequentes.
Jerusalém
Um adolescente palestino foi morto a
tiros em Jerusalém durante protestos
na sexta-feira. A polícia disse que não
ficou claro quem o baleou e que está
investigando. O incidente ocorreu no
bairro tenso de Silwan, em Jerusalém
oriental, onde ocorrem incidentes
frequentes de violência entre
palestinos que atiram pedras em
policiais israelenses e colonos judeus.
Os palestinos querem Jerusalém
oriental como capital do Estado que
pretendem criar na Cisjordânia e Faixa
de Gaza.

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