Após 48 horas, moradora do Pinheirinho consegue fazer mudança
(do UOL) Após esperar por mais de 48 horas pela permissão para entrar na sua antiga casa e retirar suas coisas da comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos (97 km de São Paulo), a auxiliar de limpeza Marinei de Sousa Rodigues, 42, fazia sua mudança com um carreto particular, pois decidiu que não iria aguardar a fila para usar os caminhões disponibilizados pela empresa dona do terreno
O S8 acompanhou o percurso dela, que mora há mais 5 anos da comunidade, durante toda a segunda. Hoje, chorando, ela contou por telefone que finalmente conseguiu retornar a sua casa para retirar roupas e alguns móveis, por volta das 8h30.
"A gente está tirando as coisas que mais precisa, não dá para levar tudo. Vou deixar tudo na casa da minha prima até eu conseguir me erguer de novo e arrumar um canto para os meus filhos", disse a auxiliar de limpeza que mora com o marido e dois de seus filhos.
Marinei e seu marido decidiram pagar R$ 100 e contratar um carreto para levar a mudança, pois a fila organizada pela prefeitura e pela empresa responsável pelo transporte está muito grande.
Às 11h de ontem, ela estava na paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, aguardando orientações para saber quando ela conseguiria entrar novamente na sua casa, já que não teve tempo de levar nada de lá, pois estava trabalhando quando a ocupação começou.
No domingo ela já havia passado boa parte do dia no centro de triagem para o primeiro cadastro de identificação dos integrantes da família e da casa. Foi neste momento, que o tumulto entre moradores e PM aconteceu dentro no espaço e ela resolveu fugir nas pedradas e bombas de gás lacrimogênio do local.
Na segunda, Marinei voltou ao posto de triagem na esperança de conseguir ir até sua casa e retirar tudo que desejava.
"A única coisa que quero é tirar minhas coisas da casa, porque lá é onde estão o meu suor e a minha vida. Comprei fiado na loja de material de construção para poder levantar a minha casa com a ajuda do meu marido. Deixei de comprar carne para para comprar saco de cimento. Por isso, se for para deixar a casa pra sempre, quero tirar tudo o que eu puder. Quero tirar, porta, janela, tudo! E se não puder eu vou botar fogo na minha casa, porque prefiro fazer isso a ver ela no chão", disse, bastante nervosa.
Marinei esperou a tarde toda, mas às 16h30 o local onde acontecia a triagem interrompeu o funcionamento e informou que só retomaria às 8h de hoje. Mais uma noite, ela não teve lugar para dormir. Deixou seus dois filhos na casa de uma prima e ficou na igreja, junto com seu marido, na espera de uma solução.
"Não vou para abrigo porque lá eles tratam a gente como bicho e a gente não é cachorro. Ninguém está falando de dar algum auxilio para gente. Estamos jogados às traças", afirmou.
Nessa manhã, ela reafirmou que ninguém da prefeitura apareceu oferecendo qualquer tipo de auxílio, fosse cobertores e colchões ou ajuda financeira. "A gente esperava uma coisa, mas infelizmente foi outra. Eles [prefeitura] não estão falando de auxílio aluguel, nada. Estão nos deixando a deus-dará".
Resignada, ela disse que não poderia levar tudo que desejava de sua casa."Porta, janela, isso a gente não pode levar", disse e lamentou o pouco tempo e planejamento que tinha para fazer a mudança antes da demolição.
Questionada o que fará agora e onde dormirá a próxima noite, Marinei disse não saber. "A situação é muito difícil e até agora eu acreditando que eu estou saindo da sua casa. Estou muito triste porque estou perdendo minha casa, minha dignidade e minha auto estima, mas daqui pra frente vou tentar deixar o que aconteceu para trás", disse.


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