Síria acusa Liga Árabe de conspirar e sinaliza que repressão continua


(do UOL) O ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid Moallem, acusou nesta terça-feira a Liga Árabe de tentar internacionalizar a crise de seu país e criticou a "flagrante ingerência" da organização nos assuntos internos sírios.

Segundo ele, "metade do universo" está conspirando contra o regime de Bashar Assad, que "tomará qualquer medida para se defender do caos" --dando sinais de que Damasco continuará com a repressão às manifestações de opositores.

Em entrevista coletiva, Moallem defendeu que pessoas estão executando um "plano externo" distante da "vontade do povo", em alusão à proposta da Liga Árabe para a transferência do poder na Síria com o apoio do Conselho de Segurança da ONU.

As declarações do chanceler sírio chegam pouco depois de os países membros do CCG (Conselho de Cooperação do Golfo) anunciarem a retirada de seus monitores participantes da missão da Liga Árabe na Síria.

A Liga Árabe enviou em 26 de dezembro observadores para verificar o cumprimento de um plano de paz para o país. O acordo propõe o fim de todos os conflitos, a retirada de soldados das ruas e a libertação de prisioneiros políticos.

A nota divulgada pelo países do Golfo pedia ainda que o Conselho de Segurança da ONU se responsabilizasse pelos assuntos referentes à repressão do regime sírio contra manifestantes e colocasse pressão sobre Assad e outras autoridades do país. Moallem rejeitou a ameaça do envolvimento de tal órgão internacional.

"Se eles vão para Nova York (sede da ONU) ou para a lua, contanto que não paguemos suas passagens, isso é assunto deles", afirmou o ministro. "É dever do governo sírio tomar as medidas que vê como necessárias para lidar com os grupos armados que espalham o caos".

Assad e membros de seu regime já repetiram algumas vezes que há uma conspiração estrangeira por trás das revoltas que pedem por uma transição política, que já duram mais de dez meses. Moallem afirmou nesta terça-feira que ficou claro que alguns países árabes se uniram a essa conspiração.

PAÍSES DO GOLFO

Os países árabes do Golfo decidiram nesta terça-feira retirar seus observadores da Síria e convocar a ONU para pressionar o regime sírio, segundo anunciou em um comunicado o CCG.

A decisão segue medida semelhante tomada pela Arábia Saudita, o maior dos seis Estados membros do CCG, que no domingo retirou seus observadores do país comandado pelo ditador Bashar Assad.

O anúncio chega após Damasco rejeitar o pedido da Liga Árabe de que o ditador transferisse seus poderes ao vice-presidente do país, Farouk Charaa, para viabilizar a formação de um governo de união nacional no prazo de dois meses, o qual deve legitimar uma nova eleição presidencial.

Uma autoridade da Liga Árabe citada pela agência de notícias Associated Press disse que uma reunião de emergência dos 22 membros da organização aconteceria na quinta-feira para "rever a situação" no país.

Além da Arábia Saudita, Bahrein, Kuwait, Omã, Qatar e os Emirados Árabes Unidos integram o CCG.

A Liga Árabe requisitou ainda uma reunião com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, para discutir a crise na Síria. A solicitação foi enviada pelo secretário-geral da organização árabe, Nabil Elaraby, e pelo primeiro-ministro do Qatar, Hamad bin Jassim Thani.

REVOLTAS

A Liga Árabe enviou em 26 de dezembro cerca de cem observadores para verificar o cumprimento de um plano de paz para o país. O acordo propõe o fim de todos os conflitos, a retirada de soldados das ruas e a libertação de prisioneiros políticos.

A ONU calcula em mais de 5.000 pessoas o número de mortes na repressão aos protestos contra Assad, que já duram dez meses. Autoridades sírias dizem que enfrentam grupos terroristas, que já mataram 2.000 membros da polícia e das forças armadas nos dez meses do conflito.

A Síria impede a maioria dos jornalistas independentes de atuarem no país, o que impossibilita a apuração independente das informações.

Desde março do ano passado, o ditador sírio enfrenta manifestações que pedem sua renúncia, influenciadas pela onda de revoltas na região que ficou conhecida como Primavera Árabe. Entre os ditadores que caíram por conta das revoltas estão Hosni Mubarak, no Egito; Ben Ali, na Tunísia; e Muammar Gaddafi, na Líbia.
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