(da BBC) A polícia da Noruega afirmou que o atirador acusado de matar 93 pessoas vai comparecer à Corte nesta segunda-feira para explicar os motivos que o levaram a cometer os crimes.
Anders Behring Breivik, de 32 anos, admitiu ter matado pelo menos 86 pessoas. Quase todas as vítimas eram jovens e adolescentes, que foram assassinados na sexta-feira em uma ilha próxima a Oslo, Utoeya, onde ocorria um encontro para a juventude do partido governista.
Menos de duas horas antes, Breivik teria plantado uma bomba no centro político da capital, matando ao menos sete pessoas.
Pouco antes dos ataques, o atirador publicou uma manifesto de 1.500 páginas na internet dizendo que o multiculturalismo europeu havia sido enfraquecido a auto-estima nacional, por causa do que ele descreveu como a colonização islâmica da Europa.
O chefe de polícia Sveinung Sponheim disse que Breivik 'admitiu tanto o ataque à bomba como os tiros, embora não esteja admitindo culpa criminal'.
O número de vítimas fatais pode ainda subir já que há pelo menos quatro pessoas desaparecidas e outras 96 foram feridas.
Justificativa
O advogado de Breivik, Geir Lippestad, disse que o ataque foi planejado por algum tempo.
'Ele considerou ser uma crueldade ter que cometer estes atos, mas em sua mente, eram necessários', disse o advogado à imprensa norueguesa.
'Ele queria uma mudança na sociedade e, desta perspectiva, ele precisava pressionar por uma revolução. Ele queria atacar a sociedade e sua estrutura.'
Lippestad disse que Breivik foi até Utoeya para 'dar um aviso ao Partido Trabalhista que o dia do juízo final está próximo a menos que eles mudem suas políticas'.
Acredita-se que o suspeito tenha ligações com grupos extremistas de direita. Imagens suas portando uma arma apareceram em um vídeo anti-islâmico chamado Knights Templar 2083 divulgado no site Youtube.
O autor se diz ser um seguidor dos templários, ordem cristã medieval envolvida nas cruzadas e por vezes reverenciada por defensores da supremacia branca.
Funeral
Neste domingo aconteceram funerais das vítimas em diversas partes do país, inclusive na principal catedral luterana norueguesa, em Oslo.
O rei norueguês Haroldo V e sua esposa, a rainha Sônia, estiveram na catedral junto com o primeiro-ministro, Jens Stoltenberg.
Stoltenberg disse aos presentes que os dois dias desde o ataque parecem 'uma eternidade e as noites são repletas de angustia e lágrimas'.
'Cada um dos que nos deixaram é uma tragédia. Uma tragédia nacional', disse o premiê.
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