Dilma "entendeu" a necessidade das concessões, diz Delfim Netto

(do Terra) Em meio a concessões de aeroportos, de ferrovias e de rodovias, a presidente Dilma Rousseff já "entendeu" a necessidade de aumentar a participação do setor privado em segmentos econômicos estratégicos para aumentar a produtividade no Brasil. Essa é a opinião do economista e ex-ministro Antonio Delfim Netto. "A presidente é uma tecnocrata, como nós", disse nesta terça-feira durante o Global Agribusiness Forum, evento que reúne empresários, especialistas e representantes da cadeia produtiva agrícola em São Paulo (SP). "Ela leu os mesmos livros que nós e entendeu a necessidade do setor privado investir no País", afirmou. Como tantos outros palestrantes, Delfim Netto lembrou o alto nível de perdas da produção agrícola no Brasil, causado por problemas de infraestrutura. Ele citou a situação das rodovias brasileiras, que faz com que se perca grande parte dos produtos entre o trajeto da área produtiva até os portos para exportação. Quando questionado se o ideal não seria reduzir a carga tributária, ao invés de criar leilões para a iniciativa privada, Delfim Netto afirmou que o excesso dos impostos pagos não é o "problema" do Brasil, mas, sim a gestão do governo. "Entregamos recursos e o governo não os gere adequadamente." Ele afirma que, apesar de o governo vir baixando a carga tributária, essa redução poderia ser feita de forma mais eficiente. O ex-ministro da Fazenda e da Agricultura afirmou ainda que o Brasil precisa de um "seguro" para as safras produzidas, ou seja, uma garantia aos produtores. "Com isso, não vamos expandir as plantações para a Amazônia, mas, sim, para terras disponíveis ou má utilizadas". Sobre o impacto que a desaceleração da China pode trazer aos negócios no Brasil, foi categórico: "seguramente a China vai desacelerar, ela não vai crescer 8% ao ano pelos próximos 30 anos; para isso, seria necessário outro planeta", brincou. E opinou que, apesar da desaceleração da economia chinesa, haverá pouco impacto nos alimentos exportados do Brasil. "Já para os minérios deve haver uma redução (da demanda)."
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