Um ano após ataque à Sony, analistas divergem sobre hackers

(do Terra) Em abril de 2011, a PlayStation Network, rede de
games da Sony, sofreu um ataque virtual que
expôs os dados de mais de 70 milhões de
pessoas. A ação colocou os hackers ao centro das
atenções. Há quem os acuse e critique, mas
também os que saem em sua defesa. Essa
divergência reflete a opinião de dois especialistas
em segurança online ouvidos pelo Terra - um ex-
hacker e um executivo de multinacional - um ano
depois dos ataques. Cristian Gallas, presidente do
iVirtua Group, acredita que existem invasores "do
bem" e "do mal". Já Ascold Szymanskyj, vice-
presidente de vendas e operações da F-Secure,
entende que todo hacker tem má índole, a
exemplo dos que invadiram a PSN.
"Acho que a invasão da Sony foi uma das
maiores da história", avalia Gallas, ex-hacker. Em
complemento, Szymanskyj acredita que as
invasões do ano passado "aumentaram a
percepção de severidade dos ataques" online,
tanto junto a usuários corporativos quanto a
pessoas físicas. No caso das empresas, ele
entende que a preocupação com a proteção de
dispositivos móveis cresceu, e que muitas
companhias começaram a rever suas políticas
após a invasão do site da Sony.
Além disso, o executivo acredita que as pessoas
começaram a perceber que os crackers que
atacaram a rede de games visavam lucro, e que é
isso que os diferencia dos hackers. Para
Szymanskyj, o hacker seria aquele que quer
"chamar a atenção, deixar sua marca", enquanto
o cracker tem "objetivos claramente financeiros".
"O cracker age da maneira mais discreta possível
para entrar nos seus dispositivos e subtrair as
informações sem que você ative nenhuma
proteção do sistema, enquanto o hacker invade
pelo prazer de invadir e fazer o computador
parar de funcionar, ou pelo prazer de colocar a
sua marca, como esses que são considerados
hacktivistas, como o Anonymous", explica.
Gallas não acredita na separação entre hacker e
cracker. Para ele, os nomes diferentes são uma
"nomenclatura da mídia", e como o termo
cracker é pouco usado, o que as pessoas ouvem
realmente é a palavra hacker. "Seja quando é um
cara bom, contratado para alguma empresa, ou
quando ele ataca e gera um problema, você só
ouve falar em 'hacker'", ilustra. Por isso, continua,
o hacker tem a imagem de "mau".
O presidente do iVirtua também discorda que os
hackers que derrubam sites - os hacktivistas que
promovem ataque de negação de serviço, ou
DoS, na sigla em inglês - queiram aparecer. "Se
você for ver a maior organização mundial hoje é
o Anonymous, e quem faz parte do grupo, como
o nome diz, é anônimo, não tem nome de
ninguém", afirma. Ele apoia o grupo hacktivista, e
diz que "até hoje todas as atividades não eram
ruins para o usuário ou para a sociedade". "Eles
nunca fizeram nada que eu olhasse e não
conseguisse ver a perspectiva do usuário da web
e entender porque vale a pena fazer isso - como
nos protestos contra o Sopa ou o Pipa, que iam
prejudicar todo mundo", defende.
Já Szymanskyj não acredita em hacktivismo.
"Esses que são chamados de hacktivistas são
arruaceiros digitais. Eles invadem sistemas para
protestar contra algo, mas quem sofre com isso
são os usuários. Eu não vejo nenhum benefício
social ou tecnológico nisso", opina. Mais do que
isso, ele manifesta uma preocupação de que,
com seu conhecimento, "o hacktivista de hoje se
transforme, amanhã, em um criminoso
cibernético". Para o executivo existe "uma linha
tênue" que separa o ativismo na internet, que
considera saudável e necessário, do incentivo
"para fazer com que outras pessoas pratiquem
atos ilegais e causem prejuízos financeiros e
morais a outros".

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