Número de homicídios na Grande Salvador mais que dobra após início da greve da PM


(do UOL) O número de homicídios na região metropolitana de Salvador mais que dobrou após o início da greve da Polícia Militar, segundo levantamento feito pelo S8 com base em dados da Secretaria de Segurança Pública da Bahia.


Entre a quarta-feira (1º) e o sábado (4), foram registrados 70 homicídios na região, um aumento de 126% em relação ao mesmo período da semana anterior (entre 25 e 28 de janeiro), quando 31 assassinatos foram registrados.

Se comparado com o mesmo período de duas semanas anteriores (18 a 21 de janeiro), quando ocorreram 23 homicídios, o aumento chega a 204%. Os números ainda podem ser atualizados pelo governo do Estado.

A greve foi deflagrada no fim do dia da última terça-feira (31), por isso o levantamento não leva em conta essa data. Considerando os oito homicídios registrados até as 12h de hoje (5), o número total dos últimos cinco dias chega a 78 homicídios.

PM grevista é preso
Foi preso na manhã de hoje o PM Alvin dos Santos Silva, um dos 12 policiais grevistas que tiveram a prisão decretada. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o PM é acusado de formação de quadrilha e roubo de um carro da corporação. Silva é lotado na Coppa (Companhia de Policiamento de Proteção Ambiental).

Segundo o governo da Bahia, na sexta-feira, foram expedidos 12 mandados de prisão contra lideranças do movimento acusadas de roubo qualificado de viaturas policiais, incitação ao crime e formação de quadrilha.

“Esses mandados estão para serem cumpridos, estão todos em fase de execução”, disse o capitão da Polícia Militar Marcelo Pita, porta-voz do comando da PM, que não aderiu à greve.

100% de adesão em 32 cidades
No sábado (5), a Associação dos Policiais e Bombeiros da Bahia (Aspra) informou que a adesão ao movimento é de 100% do efetivo em 32 dos 417 municípios baianos, incluindo algumas das principais cidades do Estado, entre elas Ilhéus, Itabuna, Jequié, Vitória da Conquista e Senhor do Bonfim.

Policiais Integrantes do 20º Batalhão da Polícia Militar, do município de Paulo Afonso (a 484 km de Salvador), decidiram cruzar os braços sob a alegação de que o governo não vem cumprindo com algumas pendências. Na noite da sexta-feira, policiais da cidade de Barreiras (a 848 km da capital baiana) também aderiram ao movimento.

Crimes federais
Ainda ontem no sábado, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que, por solicitação do governo do Estado, o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) já reservou vagas em presídios federais para encaminhar, se necessário, policiais que tenham cometido algum tipo de crime durante o movimento grevista.

Cardozo se reuniu com o governador da Bahia, Jaques Wagner, e disse que todas as ocorrências criminosas serão tratadas como crimes federais.

"Todos os crimes cometidos nesse período são qualificados como crimes federais e serão tratados como tais. Seremos muito firmes no cumprimento do nosso dever", disse Cardozo em entrevista na Base Aérea de Salvador.

O ministro viajou à Bahia acompanhado do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general José Carlos de Nardi, e da secretária nacional da Segurança Pública (Senasp), Regina Miki.

Cardozo considerou “inaceitável” a forma como os policiais estão conduzindo a greve. "O Estado de Direito não permite o abuso do próprio direito. Isso [a greve], da forma como está sendo tratado, é inaceitável."
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