(do Terra) Duzentas e setenta e duas pessoas
morreram e outras dezenas ficaram
feridas num incêndio em uma prisão
na cidade hondurenha de
Comayagua, localizada a 80 km da
capital, Tegucigalpa. O fogo
começou por volta das 22h55 de
terça-feira (2h55 desta quarta,
horário de Brasília) na Colônia Penal
Agrícola da região. Ainda não estão
claras as causas, mas suspeita-se de
um curto-circuito.
O número de vítimas ainda é inicial e
pode subir. A chefe de Medicina
Forense do Ministério Público de
Honduras, Lucy Marrder, informou
que o número atual é de 272, e que
a identificação levará vários dias.
Nos hospitais de Comayagua
"dezenas de queimados e feridos"
foram atendidos. Uma enfermeira
do Hospital Santa Teresa contou aos
jornalistas que ao menos 30 presos
deram entrada com queimaduras de
terceiro e quarto graus. O Hospital
Escola em Tegucigalpa também
recebeu feridos.
Em declaração citada pela agência
AFP, o diretor dos Centros Penais,
Danilo Orellana, deu seu relato da
tragédia. "Estamos fazendo a
contagem de corpos. A situação é
grave, a maioria morreu por asfixia.
O fogo tomou conta de vários
módulos. Não se trata de uma
rebelião, as causas estão sendo
investigadas", afirmou. A hipótese
do curto-circuito foi levantada por,
Héctor Iván Mejía, porta-voz da
Secretaria de Segurança. Ele
destacou que a equipe do Ministério
Público e outras autoridades estão
fazendo a contagem dos mortos,
feridos e foragidos.
O porta-voz do Corpo de
Bombeiros da cidade de
Comayagua, sargento Josué García,
indicou à agência EFE que pelos
dados fornecidos por funcionários
da Colônia Penal Agrícola, o
incêndio atingiu um dos dois
módulos da penitenciária, espaço
onde havia 500 presos. No total, a
prisão abrigava 850 homens. "Há
muitos corpos empilhados no
interior dos módulos que, com
certeza, tentaram, mas não
conseguiram escapar do fogo",
detalhou o porta-voz dos
Bombeiros.
Familiares de detentos disseram aos
jornalistas que por relatórios
preliminares que receberam, as
celas seis, sete e oito foram as mais
afetadas pelas chamas. A polícia não
permitiu o acesso da imprensa ao
interior da prisão, que fica às
margens da estrada que liga
Tegucigalpa ao centro e norte de
Honduras. Alguns que conseguiram
escapar do fogo quebraram o
telhado e se jogaram do alto do
prédio, revelaram familiares em
relatos dramáticos. Há ainda
registros preliminares de fuga.
A área do centro penal está
fortemente protegida pelo Exército e
a polícia e vários familiares dos
presos permanecem do lado de fora
da instituição à espera de notícias.
"Meu irmão Roberto Mejía estava no
módulo seis. Disseram que todos
desse módulo morreram", declarou
Glenda Mejía, muito abalada. A seu
lado, Carlos Ramírez também
esperava notícias de seu irmão,
Elwin, detido por assassinato e que
também se encontrava no módulo
seis. "Não nos dizem nada".
Histórico de tragédias
A prisão é um complexo agrícola
localizado a 500 metros da estrada
que une San Pedro Sula, a capital
econômica de Honduras, e
Tegucigalpa, centro governamental.
Neste centro penitenciário os
detentos se dedicam, entre outras
atividades, ao cultivo de hortaliças e
criação de porcos. Em maio de 2004,
mais de 100 presos morreram
carbonizados em um incêndio no
presídio de San Pedro Sula, devido,
segundo as autoridades, a
problemas estruturais da prisão.
Honduras conta com 24
estabelecimentos penitenciários com
capacidade de albergar 8 mil
pessoas, mas a população carcerária
ultrapassa as 13 mil.


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