(do UOL) O Palácio do Planalto alertou e cobrou medidas do
ministro Carlos Lupi (Trabalho) contra as acusações
de irregularidades em convênios firmados pela
pasta com ONGs.
"A gente fez um alerta de que era preciso cuidado
porque não era possível continuar com essa
política [de convênios]" , disse o ministro Gilberto
Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência),
segundo quem a conversa ocorreu há cerca de três
meses.
"A gente fez um alerta geral na época, e ele
assegurou que o que precisava ter sido feito foi
feito", acrescentou.
Foi após essa conversa que Marcelo Panella, então
chefe de gabinete de Lupi e tesoureiro do PDT, foi
afastado da pasta por suposto envolvimento nas
denúncias. Panella diz que saiu por motivos
pessoais e que nunca cuidou de recursos para
ONGs.
Reportagem da revista "Veja" desta semana afirma
que assessores do ministro teriam pedido propina
a ONGs, entre elas o Instituto Êpa, do Rio Grande
do Norte.
No sábado (5) , Carvalho voltou a conversar com
Lupi. Disse que orientou o colega a se defender. "A
nossa expectativa é que haja um roteiro diferente
desta vez" , afirmou Carvalho, que também
acompanhou os casos que resultaram na saída de
seis ministros do governo.
Sobre as suspeitas contra o Ministério do Trabalho,
até o momento, a avaliação do Planalto é que não
há fato que atinja diretamente Lupi.
Foi seguindo orientação do governo que o ministro
decidiu anteontem afastar o coordenador-geral de
qualificação da pasta, Anderson Alexandre dos
Santos, citado pela "Veja" como um dos que
pediam propina para o Instituto Êpa.
A oposição cobra explicações. O líder do PSDB na
Câmara, Duarte Nogueira (SP), defende o
afastamento de Lupi, argumentando que as
supostas irregularidades podem estar abastecendo
partidos.
O PPS deve pedir à Procuradoria-Geral da
República abertura de inquérito para investigar
indícios de esquema no Ministério do Trabalho.
Procurado desde sábado, Santos não foi
localizado, assim como dirigentes da ONG.
Lupi afirmou que em 2011 não fechou convênio
com ONGs e que os contratos em vigor são de
anos anteriores.
Apesar dos problemas, o governo descarta
interromper as parcerias. "As ONGs prestam muitos
serviços essenciais", afirmou Carvalho. Na quarta, o
governo fará um seminário para preparar marco
regulatório para o setor.


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