Bronze sem vitória de brasileira escancara amadorismo dos Jogos Pan-Americanos

Para ganhar uma medalha nos Jogos
Pan-Americanos de Guadalajara, a
pugilista brasileira Roseli Feitosa
precisou apenas entrar no ringue. Ela
não venceu nenhum combate, mas
vai voltar para casa com uma medalha
de bronze no peito.
A situação insólita é o exemplo mais
claro do baixo nível técnico dos Jogos
Pan-Americanos. Em algumas
modalidades, como boxe ou
taekwondo, basta vencer uma ou
duas lutas para subir ao pódio. Em
outras, como natação, a fase
eliminatória não elimina ninguém.
O caso de Roseli é emblemático. A
categoria que ela disputou no Pan,
até 75 kg do boxe feminino, tinha
apenas sete atletas inscritas. Um
sorteio definiu a ordem dos
combates, e a brasileira ficou sem
adversária na primeira rodada.
Resultado: vaga direta nas semifinais.
Como o boxe não tem disputa do
terceiro lugar, Roseli já tinha
assegurado pelo menos o bronze. E
foi o que aconteceu. Ela perdeu a luta
para a dominicana Yenebier Guillen
Benetiz e vai subir ao pódio mesmo
sem ter vencido.
Nas outras duas categorias do boxe
feminino aconteceu a mesma coisa. A
pugilista que entrou diretamente na
semifinal perdeu a sua luta e ganhou
o bronze. No masculino, foi ainda
pior. Com apenas seis participantes, a
categoria até 81 kg premiou dois
boxeadores sem vitória com o
bronze.
No taekwondo, ninguém ganhou
medalha de graça. Mas subir ao
pódio não era tão difícil assim. Com
uma ou duas vitórias pelo menos o
bronze seria garantido. Marcio
Wenceslau levou o bronze para casa
tendo vencido apenas um combate.
Natalia Falavigna teria conseguido a
mesma coisa se tivesse superado a
sua rival da estreia.
Em outras modalidades, o número
restrito de participantes proporciona
fases eliminatórias que não servem
para quase nada. No vôlei, das oito
seleções, seis se classificaram para a
segunda fase.
Nos saltos ornamentais, o primeiro
dia de disputa teve uma eliminatória
que cortou apenas uma das 13 atletas
participantes. Na esgrima, foram dois
eliminados entre 18 competidores. Na
canoagem, a eliminatória do K1 500 m
tinha quatro participantes: uma foi
desclassificada e as outras três
avançaram.
Mas a situação pode piorar. Na prova
de revezamento 4x 100 m livre da
natação, a eliminatória não eliminou
ninguém. As oito equipes se
classificaram para a final. A fase
preliminar serviu apenas para definir
as raias da decisão.
A ginástica de trampolim viveu uma
situação parecida. Tanto no
masculino quanto no feminino, o
primeiro dia de disputa serviu apenas
de treino de luxo. Afinal, os oito
participantes já estavam classificados
para a final. Momento típico do Pan.

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