Brasil deixa de ser patinho feio do boxe e conquista respeito de juízes e rivais

O boxe brasileiro está vivendo o
efeito Everton Lopes. Campeão
mundial dos 64 kg, o primeiro da
modalidade no país, ele foi o
responsável por uma mudança de
status que está clara nos Jogos Pan-
Americanos de Guadalajara. O Brasil
não é mais um patinho feio do boxe
amador, que ganha algumas lutas,
mas se apequena contra as nações
maiores. Na segunda-feira, o melhor exemplo
foi dado por Robson Conceição. O
baiano encarou o norte- americano
Toka Kahn-Clary ignorando o fato de
que os EUA são uma potência
olímpica. Ele entrou no ringue,
comandou o combate, lutou como se
a chance de perder não existisse.
“O título do Everton muda tudo. Há
alguns anos já olham de maneira
diferente para os brasileiros, mas o
título mundial deixa o Brasil em pé de
igualdade. Ainda roubam um pouco,
mas é muito menos”, diz, sincero,
Robson.
O roubo da frase diz respeito ao
critério de pontuação do boxe. Para
que um golpe seja computado como
ponto, três dos cinco juízes devem
apertar o botão correspondente.
“Campeão mundial é campeão
mundial. Ele entra e os juízes olham
de maneira diferente. Pontuam o que
veem, não tem aquele negócio de não
dar o golpe por não ter certeza se o
cara realmente fez o que ele viu”,
continua o técnico do time brasileiro,
João Carlos de Barros.
Myke Carvalho, o mais experiente da
equipe, sentiu as duas situações.
“Antes, olhavam para os brasileiros
como escadas na chave. Hoje, nos
respeitam. Estão nos olhando de um
jeito diferente. O título do Everton
coroou essa evolução que o boxe já
vinha tendo”, diz o boxeador
paraense, que, na segunda-feira , fez
o maior placar do boxe no Pan até
agora, 30 a 8 contra o chileno Patrício
Villagra.
Apesarda subida de espaço, o Brasil
não vai conseguir igualar, pelo menos
em número de medalhas, o
desempenho do Rio de Janeiro. A
equipe verde-amarela colocou sete
atletas nas semifinais, contra oito no
Rio-2007 . Os lutadores que já
garantiram medalha em 2011 são
Roseli Feitosa (75 kg), Julião Neto (52
kg), Robenílson de Jesus (56 kg),
Robson Conceição (60 kg), Everton
Lopes (64 kg), Myke Carvalho (69 kg) e
Yamaguchi Falcão (81 kg). Os únicos
fora do pódio são David Lourenço (75
kg) e Adriana Araújo (60 kg).
UOL

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