Internos denunciam maus tratos em clínica para dependentes químicos

(do G1) Uma briga entre internos e monitores no Centro de Recuperação Desafio Jovens Livres, para dependentes químicos, no Paranoá, terminou em quebra-quebra. O incidente ocorreu na madrugada desta segunda-feira (18) e uma pessoa ficou ferida. Os jovens em tratamento foram até a 6ª Delegacia de Polícia denunciar o suposto uso de violência dos funcionários do local.

Dos 100 alunos, cerca de 60 deixaram o centro de recuperação. Os internos que abandonaram o tratamento teriam revirado quartos e armários e também quebrado vidros de portas e janelas. Os jovens teriam usado barras de ferro e pedaços de pau para ameaçar colegas e funcionários da instituição.

Fátima Rodrigues, mãe de um interno, contou que se sentiu culpada pela situação. “Tentei buscar ajuda para o bem do meu filho e encontrá-lo assim [machucado] me deixa muito triste”, disse. Um jovem em tratamento afirmou que assistiu cenas de tortura na clínica e que outro interno foi espancado no local.

Fabiana dos Santos Lopes, irmã do jovem que denunciou a tortura, explicou que os internos espancados não recebem visita aos finais de semana. “Os outros são orientados a não contar nada senão ficam na trancados em um cômodo ou apanham. Meu irmão só contou isso depois que saiu”, afirmou Fabiana.

No entanto, Alberto de Souza, diretor da clínica, contou que uma briga entre internos teria provocado a rebelião. “Não existe isso [maus tratos] aqui. Foi briga entre eles. Eles estavam procurando isso há tempos para se evadir do local”, disse Alberto.

Após cumprir o período de reabilitação, que dura cerca de nove meses, alguns internos permanecem no local trabalhando como voluntários. É o caso de Iandê Oliveira. “Dependemos de uma disciplina severa e se não lutarmos com todas as forças acabamos voltando ao mundo das drogas”, ressaltou o ex-interno.
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