(da EFE) Lisboa, 18 julho .- Os juros que penalizam a dívida soberana de Portugal voltaram a disparar nesta segunda-feira no curto prazo, especialmente os títulos para dois anos, que superaram pela primeira vez a barreira de 20% de juro.
Concretamente, as obrigações lusas para dois anos eram cotadas nesta segunda-feira a 20,3%, quase um ponto percentual acima de sexta-feira, quando era pago em média 19,37%, o que situava a diferença com relação ao bônus germânico em 1.844 pontos básicos.
A mesma tendência de alta exibia nesta segunda-feira a dívida portuguesa para três anos, que no mercado secundário - onde são comprados e vendidos os títulos adquiridos nas emissões públicas feitas pelos estados - rondava 21,2% de juro, recorde desde a entrada em vigor do euro.
A evolução do juro é um reflexo fiel do aumento da pressão dos mercados, já que há pouco mais de três meses rondavam tanto para dois quanto três anos em 9%, e desde então dobraram.
A pressão que exercem os mercados sobre Portugal não arrefeceu como se previa no país desde que alcançasse um acordo com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional em maio para receber sua ajuda, e que representará uma injeção de 78 bilhões de euros por meio de empréstimos para os próximos três anos.
Os investidores e as agências de classificação desconfiam da capacidade de Portugal para cumprir com os objetivos pactuados com os organismos internacionais, principalmente o déficit público, que deve reduzir em mais de três pontos percentuais, até 5,9% do Produto Interno Bruto (PIB).
De fato, o reconhecimento na véspera por parte do Executivo conservador de que existe um buraco em suas contas públicas de 2 bilhões de euros com relação aos números de despesas e receita que manejava até o momento voltou a dar motivos aos céticos.
O novo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho - vencedor do pleito de 5 de junho -, destacou na véspera que metade do 'desvio' será coberta pelo imposto sobre o salário, e os outros 50% deverá proceder de um maior corte do gasto público previsto inicialmente.
Os juros que penalizavam nesta segunda-feira a dívida lusa para cinco e dez anos, por outro lado, remetiam ligeiramente, para 17,6% e 12,86%, respectivamente.
A incerteza que ainda existe na Europa sobre o segundo resgate da Grécia preocupava nesta segunda os investidores, que voltaram a aumentar a pressão sobre os países periféricos.
No caso de Portugal, os mercados pareciam nesta segunda dar maior importância ao corte da agência Moody's da sexta-feira à classificação de sete bancos portugueses - cinco deles apresentam agora nota considerada como 'bônus lixo' - que aos resultados dos testes de estresse dos bancos na Europa, aprovados pelas quatro entidades lusas que se submeteram a elas.


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