Gleisi pede 'sabedoria' para nova missão e rejeita rótulo de 'trator'

(do G1) Em discurso de despedida no Senado
na tarde desta quarta-feira (8), Gleisi
Hoffmann (PT-PR) agradeceu "a
convivência democrática" na Casa e
disse que espera exercer com
"sabedoria" a nova função, de
ministra-chefe da Casa Civil. Ao citar a
relação com os demais parlamentares,
rejeitou o rótulo de "trator", conferido
a ela por um líder da oposição.
Ela foi escolhida pela presidente Dilma
Rousseff para substituir Antonio
Palocci, que deixou o cargo na terça .
Gleisi toma posse na Casa Civil na
tarde desta quarta.
"Quero dizer que meu afastamento do
Senado não me afasta dos
compromissos que assumi. Estou
mudando de instância, mas não de
caminho. (...) Peço a Deus sabedoria
para exercer essa nova tarefa",
discursou Gleisi no plenário do
Senado.
Gleisiafirmou que terá uma
"responsabilidade grande" e que
continuará defendendo o governo de
Dilma. "A presidenta Dilma me
designou uma nova missão e vou
cumpri-la. Minha caminhada tem razão
de ser, a responsabilidade é grande.
(...) Sempre fui muito incisiva na defesa
de seu governo, não pelo simples fato
de pertencer a sua base, mas
sobretudo porque acredito no projeto
que ela representa para o futuro do
país."
'Trator'
Crítica da forma como líder do governo
no Senado Romero Jucá (PMDB-RR)
negociava com os oposicionistas, a
senadora petista ganhou do líder do
DEM, Demóstenes Torres (GO), o
apelido de “trator”, já que defendia o
uso da maioria governista para
aprovar matérias contra a vontade da
oposição, sempre minoritária. “Maioria
é para ser exercida”, dizia Gleisi.
No discurso de despedida, ela rebateu
os comentários: "Me perguntaram
ontem na conversa com a imprensa o
que teria a dizer sobre a menção, por
alguns oposicionistas, de que sou um
trator. Não considero esta a melhor
metáfora para quem exerce a política
e sempre se dispôs a debater, ouvir e
construir consensos. A manifestação
democrática é o maior instrumento
que temos para avançarmos no
desenvolvimento do nosso país."
Oposição
No discurso, Gleisi manifestou ainda a
"deferência aos integrantes da
oposição". "Todos foram adversários
duros no debate, mas prevaleceu
sempre a convivência democrática. (...)
Gostaria muito de manter a
convivência respeitosa que iniciamos
nesta Casa. Não teve um dia que não
recebi um incentivo, um novo
ensinamento, palavra de apoio e de
amizade."
Pouco antes de iniciar o discurso,
Gleisi foi cercada por alguns
senadores no plenário que quiseram
cumprimentá-la pelo cargo. O senador
Aécio Neves, um dos principais líderes
do PSDB, abraçou a senadora, que
pediu ajuda para dialogar com a
oposição.
A senadora Vanessa Graziottin (PCdoB)
também cumprimentou Gleisi e pediu
uma foto com as "mulheres no
Senado".
Atuação de Gleisi
Em cinco meses de atuação no
Congresso, a senadora apresentou 19
propostas, relatou 34 matérias e fez 54
pronunciamentos no plenário do
Senado, sem considerar o despedida.
Senadora em primeiro mandato, Gleisi
construiu uma imagem de parlamentar
atuante, presente em quase todas as
sessões da Casa e que sempre utilizava
o microfone para rebater ataques da
oposição ao governo.
Desde que assumiu o mandato em
fevereiro, Gleisi apresentou um
projeto de decreto legislativo, uma
proposta de emenda à Constituição,
oito projetos de lei do Senado e dois
projetos de resolução. Ainda foram
apresentados pela petista sete
requerimentos.
Projetos
Gleisi foi designada relatora de 22
projetos de lei do Senado, de quatro
projetos de decreto legislativo, três
projetos de lei da Câmara, além de um
requerimento e quatro mensagens do
Senado.
Anova ministra-chefe da Casa Civil era
titular das comissões de Assuntos
Econômicos, de Agricultura, e de
Relações Exteriores. Gleisi também era
integrante da CPI do Tráfico Nacional
e Internacional de Pessoas e integrava
subcomissões da Casa.
No Senado, Gleisi utilizou R$ 48,9 mil
para custear atividades do seu
gabinete. A senadora mantinha uma
equipe de 17 assessores.

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