BC perde R$ 1,73 bi no ano com atuação no mercado futuro

(do Estadão) BRASÍLIA - O Banco Central já acumulou neste ano, até o dia 1º de julho, prejuízo de R$ 1,73 bilhão nas operações de swap cambial reverso (que equivalem à compra de dólares no mercado futuro). A perda é decorrente da valorização do real ante o dólar, já que, nesses contratos, o BC perde quando a moeda nacional ganha valor, enquanto o mercado fica na posição contrária.

Nesta sexta-feira, 8, a autoridade monetária retomou as vendas de contrato de swap reverso ao mercado. Segundo o próprio BC, foi a primeira vez desde 1º de abril que um leilão desse instrumento ocorre sem ser para rolagem de contratos que estão vencendo. Ou seja, nesta sexta ocorreu de fato uma intervenção no mercado de derivativos com a colocação de swaps.

Segundo uma fonte ouvida pela Agência Estado, ao entrar no mercado futuro hoje, o BC tentou agradar o ministério da Fazenda, cujo titular, Guido Mantega, tem mostrado maior preocupação com a trajetória da taxa de câmbio. É que, como o fluxo cambial já entrou no terreno negativo e mesmo assim o real segue em alta, a mira do governo se volta para o mercado futuro. Enquanto medidas mais agressivas são pensadas, o BC aparece com o swap reverso, ação mais amigável ao mercado.

Para a fonte, o swap reverso é inócuo, tanto que não houve demanda para o total ofertado hoje e também não houve para o total oferecido na semana passada (28 de junho). A avaliação dessa fonte é que a valorização cambial não decorre de problemas de fluxo no mercado à vista ou futuro, mas sim dos fundamentos da economia brasileira, da melhora dos termos de troca (a alta das commodities que com atraso estaria sendo absorvida pela taxa de câmbio) e do diferencial de taxa de juros, em um mundo com política monetária muito frouxa na principal economia do planeta, os Estados Unidos.

Para o diretor de câmbio da NGO Corretora, Sidnei Nehme, a escassez de demanda para os swaps mostra que o mercado ainda não está pressionado pela queda de liquidez. "No momento em que houver aperto da liquidez, o mercado será comprador", disse Nehme. "Mas quando isso ocorrer (aperto de liquidez), aí o BC não deve ofertar o swap, deixando o real se desvalorizar e os exportadores entrarem no mercado arbitrando a taxa", acrescentou.

Nehme é um crítico do uso de swaps reversos pelo BC. Segundo ele, o instrumento acaba dando ao mercado um viés adicional a favor da valorização cambial, já que, quando a moeda nacional se aprecia, o setor privado ganha e o BC perde. Os números mostram que isso de fato tem ocorrido.

Para o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, o swap é um "cosmético". Segundo ele, uma ação mais eficaz no câmbio passaria, por exemplo, por limitar mais as posições vendidas dos bancos no mercado à vista, por meio de mais uma alta nos compulsórios. Mas o economista lembra que tal postura teria como efeito colateral travar o mercado.

Outra possibilidade levantada por Gonçalves seria o governo interferir na alavancagem dos investidores em operações cambiais no mercado futuro. Segundo ele, apesar de a BMF não estar diretamente sob a alçada do BC (o que em tese dificultaria ações nessa direção), a autoridade monetária poderia atuar indiretamente, por meio de limitações impostas aos bancos, que estão debaixo de sua alçada regulatória.

Além disso, o economista considera que o governo ainda tem como alternativa a possibilidade de taxar toda a entrada de capital externo no País, independentemente de seu perfil, o que evitaria qualquer possibilidade de dribles no IOF de 6% que incide em alguns capitais. "Se quer contornar a impossibilidade de se carimbar dinheiro, o governo precisa alcançar tudo", disse, explicando que, independentemente dos resultados negativos recentes no fluxo cambial, o fato é que já entraram quase US$ 40 bilhões no País este ano, que ainda vão alimentar o crescimento do mercado de crédito, outro problema com que o governo está tendo que lidar.
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