Serra lança candidatura com ataques ao PT e elogios a própria gestão

Candidatura de José Serra à prefeitura de São Paulo teve auto-elogios e críticas ao PT. Foto: Léo Pinheiro/Terra
Candidatura de José Serra à prefeitura de São Paulo teve auto-elogios e críticas ao PT
Foto: Léo Pinheiro/Terra

(do Terra) O PSDB oficializou neste domingo a candidatura do ex-prefeito e ex-governador José Serra à Prefeitura de São Paulo, em um evento marcado por fortes ataques às gestões do PT e pela exaltação à administração municipal tucana (2005 e 2006) e do prefeito Gilberto Kassab (PSD). Em seu discurso, algumas vezes emocionado, Serra também fez uma homenagem à ex-primeira-dama Ruth Cardoso, que morreu há exatos quatro anos, apesar da ausência do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que foi convidado, mas não compareceu. Rodeado por caciques tucanos e por uma multidão de militantes, Serra discursou por cerca de 40 minutos, boa parte deles dedicados à listar os feitos da gestão municipal iniciada por ele em 2005, e as realizações do governo do Estado, o qual comandou por quatro anos. Ele também rebateu, de forma indireta, as críticas que recebeu por ter deixado a prefeitura para se candidatar a governador - o que tem sido alvo de intensos ataques dos adversários. "Eu não tenho nenhum mal entendido com meu passado, Eu nada esqueci, de nada me desfiz e com tudo aprendi. E tirei lições de todos os meus erros", declarou, embargando a voz. Ataques ao PT Durante boa parte de sua fala, o tucano fez questão de exaltar seu currículo "experiente", em uma referência explícita ao adversário do PT, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad. "Nessa campanha vocês vão ouvir nossos adversários falando mal da cidade, gente que a sequer a conhecem, hein? Que fizeram pouco por São Paulo:", questionou. "São Paulo merece um prefeito independente, com experiência, peso político e conhecimento das coisas", disse, listando marcas de gestões tucanas, como a implantação do Rodoanel e a criação da Virada Cultural, na capital paulista. "O Ministério da Educação (que foi comandado por Haddad), prometeu mais de 6 mil creches no país, mas dessas 6 mil e tantas, criou apenas 221 em todo o Brasil, e nenhuma em São Paulo. (...) E é esse pessoal que vem reclamar de falta de creches em São Paulo", alfinetou. Também não faltaram críticas à gestão da ex-prefeita e senadora Marta Suplicy, do PT, que comandou a cidade antes da eleição de Serra, entre 2000 e 2004. "Quando entramos na prefeitura em janeiro de 2005, sabem quanto havia em caixa? R$ 16 mil. (...) As obras e serviços paralisados. Nós trabalhamos muito para recuperar a cidade", disse, exaltado. Emoção Em um dos momentos de maior emoção da convenção, Serra fez uma homenagem à ex-primeira-dama Ruth Cardoso, que morreu há quatro anos, mas não mencionou o ex-presidente FHC, que faltou ao evento. Ruth e Serra eram amigos pessoais e, enquanto o tucano discursava, imagens da ex-primeira-dama passavam ao fundo do telão. "A Ruth partiu há exatamente 4 anos. Mas nós, eu e nós que a amávamos tanto, sentimos aqui sua presença, seu amor por todos nós. Ruth você está aqui entre nós. Sinta-se uma das principais inspiradoras da nossa trajetória", declarou, emocionado. Por fim, Serra concluiu lembrando das "batalhas" que não venceu, mas ressaltando seu otimismo em relação a essa campanha, considerada por muitos no PSDB fundamental para a manutenção do poder do ex-governador no partido. "Eu não venci todas as batalhas, mas eu lutei em cada uma como se fosse a última. Cada batalha eu travei como se fosse a última. sempre com a energia que eu estou hoje", disse, concluindo seu discurso com uma chuva de papel picado azul e amarelo, bexigas e pelo sempre infalível jingle grudento "Eu quero Serra já", que tem a melodia da música chiclete "Eu quero tchu, eu quero tcha", da dupla João Lucas e Marcelo - Serra não dançou, mas seus "Serrinhas" infláveis dançaram durante a convenção inteira, que durou cerca de 5 horas. indefinição com o vice A indefinição agora fica por conta do nome do vice do candidato do PSDB. Apoiado pelo DEM, PV e PSD, o partido tem algumas opções, mas não descarta a composição de uma chapa pura, com o ex-secretário de Cultura Andrea Matarazzo. Fora do ninho tucano, um dos principais nomes para ocupar a vaga é o de Alexandre Schneider, do PSD, partido do prefeito Gilberto Kassab. Schneider é ex-secretário de Educação de São Paulo. Quem também pode ficar com o cargo também é Rodrigo Garcia, do DEM. Rodrigo deixou a secretaria de Desenvolvimento Social, mas afirmou que o apoio à candidatura do tucano é "incondicional" e independe da nomeação para vice. Por último, há ainda Eduardo Jorge, do PV. A definição da chapa deverá ocorrer até o fim desta semana.
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