OEA anuncia missão no Paraguai para avaliar crise política

(do Terra) O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, anunciou nesta terça-feira que enviará uma missão ao Paraguai para avaliar a situação após a destituição do presidente Fernando Lugo. Insulza fez o anúncio ao final de uma longa e acalorada reunião extraordinária da OEA em Washington, que não obteve consenso entre os 34 membros do organismo continental sobre as medidas a adotar envolvendo o Paraguai. "Considero meu dever reunir todos os antecedentes que este Conselho requer para poder tomar suas decisões", anunciou Insulza sobre a missão, sem dar detalhes sobre sua composição ou liderança. A missão, que tem a intenção de se reunir com Lugo, destituído na sexta-feira passada em um impeachment sumário, partiria nos próximos dias e além do Paraguai, visitaria outros países, explicou o secretário-geral. "Espero ter a informação correspondente (sobre a missão) em meados da próxima semana". Processo relâmpago destitui Lugo da presidência No dia 15 de junho, um confronto entre policiais e sem-terra em uma área rural de Curaguaty, ligada a opositores, terminou com 17 mortes. O episódio desencadeou uma crise no Paraguai, na qual o presidente Fernando Lugo, acusado pelo ocorrido, foi sendo isolado no xadrez político. Seis dias depois, a Câmara dos Deputados aprovou de modo quase unânime (73 votos a 1) o pedido de impeachment do presidente. No dia 22, pouco mais de 24 horas depois, o Senado julgou o processo e, por 39 votos a 4, destituiu o presidente. A rapidez do processo, a falta de concretude das acusações e a quase inexistente chance de defesa do acusado provocaram uma onda de críticas entre as lideranças latino-americanas. Lugo, por sua vez, não esboçou resistência e se despediu do poder com um discurso emotivo. Em poucos instantes, Federico Franco, seu vice, foi ovacionado e empossado. Ele discursou a um Congresso lotado, pedindo união ao povo paraguaio - enquanto nas ruas manifestantes entravam em confronto com a polícia -, e compreensão aos vizinhos latinos, que questionam a legitimidade do ocorrido em Assunção.
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