S8 faz raio-x e mostra acertos e falhas de Parque Olímpico londrino

Sebastian Coe, presidente do Comitê Organizador da Olimpíada (Locog), em visita ao Parque Olímpico. Foto: AP
(do Terra) Escavadeiras, tratores e materiais de construção ainda fazem parte do cenário no Parque Olímpico de Londres. Apesar disso, não é exagero dizer que o complexo esportivo já tem condições de receber a abertura das competições. Os moradores do Reino Unido tem neste final de semana a primeira - e única - oportunidade de conhecer o local antes da cerimônia de abertura dos Jogos no dia 27 de julho. Cerca de 140 mil pessoas são esperadas no evento-teste que está sendo realizado em Stratford, região leste da capital britânica, neste fim de semana. Quem chegou ao complexo neste sábado encontrou segurança reforçada, no esquema que será repetido durante os Jogos. A lista de proibições dentro do Parque Olímpico é extensa e inclui desde cartazes de protesto até modens 3G de operadoras de celular. Agentes de segurança e policiais também transitam pelo parque em grande número. E até militares fardados observam a movimentação de torcedores. Diversos eventos-teste já foram realizados no complexo esportivo, mas sempre em arenas específicas. Dessa vez, é possível transitar por praticamente todas as instalações olímpicas, em uma prévia de como serão os Jogos. Pontos positivos Muita coisa mudou no parque de Stratford de maio do ano passado, quando o S8 visitou a área pela primeira vez, para cá. Há um ano, os principais ginásios já estavam concluídos, mas avenidas, calçadas e áreas de circulação ainda não estavam prontas. Agora, já é possível transitar por todo o parque e avaliar os destaques da obra que custou mais de nove bilhões de libras (cerca de R$ 27 bilhões) aos cofres britânicos. Por ser compacto, com apenas um terço do tamanho do Parque de Pequim, o complexo londrino facilita muito o trânsito do público. É possível ir de um extremo ao outro, como por exemplo entre o Estádio Olímpico e o Velódromo, em uma caminhada de cerca de 15 minutos. Ainda assim, existe transporte especial para pessoas com dificuldades de locomoção. As arenas construídas especialmente para os Jogos são modernas e confortáveis, com número suficiente de banheiros e lanchonetes para atender aos milhares de torcedores. Os preços praticados nos pontos de alimentação são ligeiramente mais altos que os do comércio de Londres. Entretanto, estão longe dos abusos cometidos nos estádios de futebol e grandes eventos artísticos no Brasil. Uma garrafa de refrigerante, por exemplo, custa 2,50 libras, enquanto que o preço normal na cidade é de aproximadamente 1,50. Além dos restaurantes do McDonald's, rede oficial de fast food das Olimpíadas - que não abriram neste evento-teste -, também é possível comer nas lanchonetes espalhadas pelo complexo. No cardápio, o tradicional "fish and chips" britânico (peixe frito com batata frita), por 8,50 libras, além de sanduíches e outros pratos locais, como a jacket potato (batata assada com recheio). Chegar e sair das arenas pelo transporte público também está sendo conveniente neste sábado. No total, são dez linhas de trens metropolitanos e metrô servindo a principal estação da região. No entanto, a Inglaterra está no meio de um feriado prolongado e, por isso, não é possível saber como será a movimentação quando a cidade receber uma carga extra de visitantes. Pontos negativos As autoridades britânicas não escondem o temor de um ataque terrorista durante os Jogos. Por isso, aumentaram a verba para os esquemas de segurança e mobilizaram até as Forças Armadas para garantir que nada aconteça. Como resultado, atletas se misturam a militares fardados neste final de semana. Os soldados não portam armas, mas a presença em grande quantidade causa a sensação de intimidação. A reportagem do Terra foi abordada duas vezes por homens do Exército enquanto fotografava a movimentação dos militares. Outro ponto de preocupação é a estação de Stratford, a principal da região. Ainda que tenha sido reformada para os Jogos, o terminal tem plataformas e corredores estreitos, que certamente estarão congestionados durante as competições. Por questões comerciais, apenas cartões de crédito da bandeira patrocinadora do evento são aceitos nas lanchonetes e restaurantes do Parque Olímpico. E os desprevenidos terão grandes dificuldades em encontrar caixas eletrônicos dentro do complexo. Mas talvez o grande problema dos Jogos de Londres não poderá ser resolvido por ninguém: o clima britânico. Não para de chover na cidade desde o início da primavera (no hemisfério norte). Os termômetros londrinos não passaram dos nove graus neste sábado. O clima frio fica ainda mais desanimador com a chuva fina e o vento gelado incessantes. Para amenizar a situação, vendedores ambulantes oferecem capas de chuva dentro do Parque Olímpico. Três libras que valem muito o investimento.
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