Lindemberg chega a fórum para 2º dia de júri do caso Eloá

(do Terra)  Marina Novaes Vagner Magalhães
Direto de Santo André
Lindemberg Alves chegou por volta
das 8h20 desta terça-feira ao Fórum
de Santo André, no ABC Paulista,
para o segundo dia de seu
julgamento pela morte da ex-
namorada Eloá Pimentel, em
outubro de 2008. A sessão de hoje
deve ser marcada pelo depoimento
da família da vítima.

No primeiro dia, foram ouvidos
Nayara Rodrigues, Iago Vilela e
Victor Lopes, que permaneceram em
cárcere privado com a vítima, em
Santo André, no ABC Paulista, além
de um sargento da Polícia Militar.
Após as testemunhas, há expectativa
de que Lindemberg fale, após mais
de três anos de silêncio sobre o
crime.
O primeiro a ser ouvido hoje será
Ronickson Pimentel dos Santos, o
irmão mais velho de Eloá, última
testemunha de acusação. Também
devem ser ouvidas as testemunhas
de defesa: Ana Cristina Pimentel,
mãe de Eloá, Marcos Antonio
Cabello, ex-advogado da família de
Lindemberg, Douglas, outro irmão
de Eloá, Rodrigo Hidalgo, jornalista,
Márcio Campos, também jornalista,
Dairse Aparecida Pereira Lopes,
perita, Hélio Rodrigues Ramacciotti,
perito, Sérgio Luditza, delegado,
Adriano Giovanini, policial militar do
Grupo de Ações Táticas Especiais
(Gate), e Paulo Sérgio Schiavo,
também do Gate.
Ontem, Nayara, que sobreviveu ao
desfecho do cárcere privado,
afirmou que a intenção de
Lindemberg, desde a invasão do
apartamento, era matar Eloá.
"Quando Lindemberg chegou ao
apartamento, ele se surpreendeu
com a minha presença e a de mais
dois amigos na casa de Eloá, onde
faríamos um trabalho de escola. Ele
rendeu todo mundo e, em
determinado momento, disse que a
intenção dele era matar a Eloá e sair
andando", disse.
Os amigos de Eloá, Iago e Victor,
que foram mantidos reféns no
primeiro dia do cárcere,
confirmaram a versão de Nayara.
"Ele falava que ia matar todo mundo
e depois se matar. Que ia matar a
Eloá e depois se matar. Falou que
ninguém ia sair vivo de lá", disse
Iago, que passou cerca de 11 horas
no local.
A defesa exibiu reportagens em que
é questionada a ação do Gate e o
trabalho da imprensa. "Todos, no
meu ponto de vista, são
corresponsáveis (pela tragédia).
Inclusive a sociedade", afirmou a
advogada Ana Lúcia Assad, que
representa Lindemberg, ao explicar
porque quis exibir as reportagens
ao júri, formado por seis homens e
uma mulher.
O mais longo cárcere de SP
A estudante Eloá Pimentel, 15 anos,
morreu em 18 de outubro de 2008,
um dia após ser baleada na cabeça
e na virilha dentro de seu
apartamento, em Santo André, na
Grande São Paulo. Os tiros foram
disparados quando policiais
invadiam o imóvel para tentar
libertar a jovem, que passou 101
horas refém do ex-namorado
Lindemberg Alves Fernandes. Foi o
mais longo caso de cárcere privado
no Estado de São Paulo.
Armado e inconformado com o fim
do relacionamento, Lindemberg
invadiu o local no dia 13 de
outubro, rendendo Eloá e três
colegas - Nayara Rodrigues da Silva,
Victor Lopes de Campos e Iago
Vieira de Oliveira. Os dois
adolescentes logo foram libertados
pelo acusado. Nayara, por sua vez,
chegou a deixar o cativeiro no dia
14, mas retornou ao imóvel dois dias
depois para tentar negociar com
Lindemberg. Entretanto, ao se
aproximar do ex-namorado de sua
amiga, Nayara foi rendida e voltou a
ser feita refém.
Mesmo com o aparente cansaço de
Lindemberg, indicando uma possível
rendição, no final da tarde no dia 17
a polícia invadiu o apartamento,
supostamente após ouvir um
disparo no interior do imóvel. Antes
de ser dominado, segundo a polícia,
Lindemberg teve tempo de atirar
contra as reféns, matando Eloá e
ferindo Nayara no rosto. A Justiça
decidiu levá-lo a júri popular.

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