(do UOL) A presidente Dilma Rousseff, que realiza uma visita oficial a Cuba, tinha um encontro agendado com o ex-mandatário cubano Fidel Castro na noite de ontem, mas até o momento nada foi publicado a respeito.
"Não tenho notícias sobre essa reunião" disse à agência de notícias Ansa um funcionário do departamento de imprensa do Ministério de Relações Exteriores (MRE) que está em Havana.
A agenda de Dilma na ilha caribenha também incluiu um encontro com o presidente Raúl Castro hoje. Eles, porém, não farão declarações à imprensa após a reunião, disse a fonte diplomática.
A presidente deve viajar ainda hoje ao Porto de Mariel, a cerca de 50 km da capital, uma obra considerada estratégica para a economia cubana e que conta com investimentos brasileiros.
Dilma chegou a Cuba na companhia do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e da Saúde, Alexandre Padilha.
Esta é a primeira visita da brasileira ao país como presidente. Ela irá passar dois dias na ilha e depois segue para o Haiti.
BÚLGARO
Dilma desembarcou ontem no aeroporto José Martí pouco antes das 17h locais (20h em Brasília) e foi recebida pelo chanceler cubano, Bruno Rodríguez.
Na chegada ao hotel, a presidente parou para tirar fotos com estudantes brasileiras e teve uma surpresa: foi saudada em búlgaro.
O pai de Dilma, Petar Roussev --Pedro Rousseff--, era búlgaro.
"Blagodaria [obrigado, em búlgaro]", agradeceu Irena Nikolova, 28, a Dilma. Irena, filha do embaixador da Bulgária na ilha, acompanhava as brasileiras. O pai dela serviu também no Brasil.
COMÉRCIO EM ALTA
O Brasil é hoje o quarto maior parceiro econômico de Cuba, atrás de Venezuela, China e Espanha.
De acordo com os dados do governo cubano, de 2010, o Brasil ultrapassou os EUA como provedor da ilha --apesar do embargo, uma brecha permite que cubanos comprem comida e remédios americanos.
Segundo Brasília, as vendas brasileiras à Cuba chegaram a US$ 550 milhões em 2011, alta de 32% em relação ao ano anterior.
DISSIDENTES
Em uma entrevista coletiva, realizada nesta segunda-feira, em Havana, dissidentes cubanos afirmaram que não esperam nada de relevante da visita da presidente Dilma Rousseff em relação à situação dos direitos humanos na ilha.
"Acho que no pessoal (Dilma) pode estar preocupada pelo que acontece em Cuba em matéria de direitos humanos. Mas, não espero que ela trate o caso de Wilman Villar abertamente", disse José Daniel Ferrer, um ex-preso de consciência do "Grupo dos 75" e líder da dissidente União Patriótica de Cuba.
Criado em agosto de 2011, o grupo pertencia desde o mês de setembro a Wilman Villar, o preso que morreu no último dia 19 de janeiro após uma greve de fome que iniciou na prisão, segundo afirma a oposição interna. No entanto, o Governo nega esse jejum e que se tratava de um dissidente.
Em relação à visita que a presidente Dilma inicia nesta segunda-feira em Cuba, Ferrer não parece animado: "há outros interesses, outras questões envolvidas e acho que isso ficará para trás, assim como fez (o ex-presidente Luiz Inácio) Lula da Silva quando morreu (Orlando) Zapata", acrescentou Ferrer.
Na mesma linha se pronunciou Elizardo Sánchez, da Comissão de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN), que disse que não espera "nada de relevante" da visita de Dilma. Para Sánchez, a política externa do governo brasileiro segue marcada por uma interpretação anacrônica do princípio de não intervenção.
"A diplomacia brasileira tem uma disciplina pendente em relação à atualização de seu enfoque do princípio de não intervenção, válido do ponto de vista político e do direito internacional, mas para os direitos fundamentais", disse Sánchez.


.png)
0 comentários