(da BBC) A Alta Comissária de Direitos
Humanos da ONU, Navy Pillay, disse
nesta segunda-feira que o número de
mortes na repressão aos protestos na
Síria já passou de cinco mil desde o
início da revolta, em março. Dentre as
vítimas, pelo menos 300 são crianças.
Pillay voltou a chamar a atenção para
a violência no país no dia em que a
Síria promove eleições municipais. A
oposição, que pede a renúncia do
presidente Bashar al Assad, convocou
um boicote ao pleito.
A comissária da ONU disse ainda que
cerca de 14 mil opositores se
encontram presos e mais de 12 mil
pessoas já fugiram para nações
vizinhas.
Pillay também fez um alerta para o
alto número de vítimas infantis. Pelo
menos 300 crianças morreram nos
protestos, segundo a comissária, que
qualificou a situação como
"intolerável" .
Pillay afirmou que a falta de ação da
comunidade internacional só irá
piorar o quadro. Os cinco mil mortos
não incluem baixas do Exército sírio.
O regime disse que pelo menos mil
militares perderam a vida nos
confrontos.
O Conselho de Direitos Humanos da
ONU chegou a formar uma comissão
observadora, chefiada pelo brasileiro
Paulo Sérgio Pinheiro, para verificar a
situação no país. O grupo, no
entanto, não recebeu autorização do
regime sírio. A imprensa estrangeira
não tem autorização para cobrir a
revolta.
Conselho de Segurança
Pillay relatou os novos números da
violência aos membros do Conselho
de Segurança da ONU. Ela ressaltou
que no último encontro que manteve
com o conselho, em agosto, eram
dois mil os mortos no conflito.
O representante da França na ONU,
embaixador Gerard Aurad, disse que
o Conselho de Segurança é
“moralmente responsável” pelas
mortes, por não tomar medidas mais
duras.
A França e outras nações ocidentais
como o Reino Unido e os Estados
Unidos defendem a imposição de
sanções rígidas ao regime de
Damasco.
A medida, no entanto, não tem apoio
de Rússia e China, outros dois
membros permanentes do conselho,
que já vetaram uma moção
condenatória ao regime sírio no
último mês.
No último dia 22 de novembro, uma
comissão da Assembleia Geral da
ONU aprovou uma resolução crítica,
sem efeito vinculante, contra a
repressão síria. O Brasil votou a favor.
Eleições
A segunda- feira foi dia de eleições na
Síria, apesar da violência que toma
conta de partes do país.
Pelo menos 20 pessoas morreram em
confronto com forças do regime nas
cidades de Homs, Hama e Idlib,
segundo ativistas de direitos
humanos. Entre as vítimas estariam
quatro mulheres e duas crianças. No
domingo foram 18 mortos.
Segundo o governo sírio, as eleições
municipais são livres. A oposição, no
entanto, convocou um boicote.
Muitos sírios deixaram de votar, não
necessariamente atendendo a
convocação de boicote, mas por
medo de violência nas sessões
eleitorais.


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