Após racha, Merkel diz que Reino Unido é "peça-chave" da UE


(do UOL) A chanceler alemã, Angela Merkel, expressou nesta quarta-feira seu desejo de que o Reino Unido continue sendo "um parceiro importante da UE (União Europeia)", apesar da recusa do país em aceitar o acordo para uma reforma no tratado do bloco com o objetivo de reforçar a disciplina fiscal.

Segundo ela, teria sido "irresponsável" não tomar as medidas estipuladas na recente cúpula da UE em Bruxelas para salvar o euro somente por conta da rejeição de Londres. Merkel deu as declarações em um discurso extraordinário perante o Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão), para explicar detalhes das medidas.
Após "lamentar" a rejeição de Londres e lembrar que há 20 anos aconteceu o mesmo com o euro, Merkel destacou que apesar de tudo o Reino Unido é "um parceiro confiável da UE", ponto já demonstrado em outras áreas, como o mercado interno e a defesa do meio ambiente.

A chanceler alemã afirmou que o caminho para uma união fiscal europeia já é uma via sem retorno e que a redação do novo tratado, ao qual poderão aderir os parceiros que desejarem, além dos 17 membros da zona do euro, corrigirá os erros de construção da união monetária.

Além disso, Merkel celebrou o respaldo majoritário à iniciativa para o novo tratado e comentou que o futuro presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, assegurou pessoalmente que continuará com a consolidação orçamentária iniciada por José Luis Rodríguez Zapatero.

Ela insistiu ainda em seu discurso que a introdução dos eurobônus "seria um erro", já que não se trata de uma medida de resgate "adequada" para salvar a moeda única.

A líder alemã também destacou a colaboração "especial" entre Paris e Berlim e o compromisso comum de todos os governos da UE para alcançar um "futuro melhor" com crescimento sustentável e criação de postos de trabalho no continente.

ACORDO EM RISCO

Líderes de países membros da UE que haviam concordado com as mudanças propostas de endurecimento fiscal contra a crise estão sinalizando que podem não assinar o acordo, segundo informações do jornal "Financial Times".

Em Bruxelas na semana passada, os 17 países da zona do euro e outros nove membros da UE acertaram aplicar regras fiscais mais duras para evitar uma nova crise da dívida como a que atinge a região. Apenas o Reino Unido se opôs às reformas propostas pela chanceler alemã, Angela Merkel, e pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy.

Apesar do acordo anunciado na ocasião, a expectativa da Alemanha e da França em gerar uma proximidade maior entre as economias do bloco enfrenta novas tensões, com o alerta de vários líderes da UE sobre as dificuldades de convencer seus parlamentos nacionais em aprovarem um duro pacto fiscal.

De acordo com o "FT", a pressão era particularmente mais aguda nos países fora da zona euro, onde pelo menos quatro governos alertaram que o texto legal determinaria se eles assinariam o tratado ou se uniriam à oposição do Reino Unido à proposta.

Uma das maiores preocupações apontadas era sobre a possibilidade de as novas regras darem poderes a Bruxelas para atuar mais diretamente nas políticas orçamentárias nacionais.

"Até o momento, não há nada muito além de uma folha de papel em branco e mesmo o nome do futuro tratado ainda pode mudar", disse Petr Necas, premiê da República Tcheca, citado pelo veículo. "Acho que é politicamente sem visão aparecerem declarações de que devemos assinar assinar esse pedaço de papel".

Mesmo dentro da zona do euro, algumas diferenças transparecem, com a oposição irlandesa pedindo que o premiê Enda Kenny realize um referendo sobre o assunto --uma votação que, segundo o jornal, deve se mostrar contra o pacto.

Negociadores devem se encontrar pela primeira vez na quinta-feira, com o primeiro rascunho do pacto fiscal sendo distribuído para líderes europeus antes das festas de fim de ano. O presidente do Conselho Europeu, o belga Herman Van Rompuy, afirmou que um novo tratado intergovernamental válido para 26 membros da UE deve ser finalizado até março de 2012.
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