Sertanejos explicam como driblam crise nas duplas: "O segredo é respeitar o espaço do outro", diz Chitãozinho

(do UOL) O recente desentendimento entre
Zezé di Camargo e Luciano, que
incluiu um anúncio rapidamente
retirado e até uma internação de
emergência do segunda voz, reflete
um problema recorrente nas duplas
sertanejas: como manter uma longa
parceria sem que, em algum
momento, o relacionamento se torne
insustentável?
Para Chitãozinho, que canta há 40
anos ao lado do irmão Xororó, a
missão é possível, apesar de nada
fácil. "O grande segredo é saber
respeitar o espaço do outro e colocar
seu trabalho acima de questões
pessoais. A dupla tem que ser
profissional, a vida particular do seu
parceiro não interessa pra você. Eu e
o Xororó aprendemos muito cedo
que nós precisávamos do nosso
espaço. Nós não saímos juntos o
tempo todo, não viajamos juntos, não
vivemos colados um no outro, e isso
foi fundamental para a gente chegar
aos 40 anos de carreira", defende.
De acordo com o segunda voz, as
discussões com Xororó, que tem fama
de perfeccionista, sempre existiram,
mas nunca ao ponto de se pensar em
separação. "Nós temos claro na
cabeça que eu não mando 50,1%. Eu
mando 50%. E o Xororó, os outros
50%. Ninguém fala mais alto, ninguém
tem mais poder, ninguém manda mais
do que ninguém. Isso foi
fundamental para que essa história
de separação não fizesse parte da
nossa carreira."
Principal produtor da música
sertaneja nos anos 1990, César
Augusto trabalhou com todas as
duplas de ponta daquela década, e se
destacou após revelar Leandro e
Leonardo. Há quase vinte anos, é
responsável pelos discos de Zezé di
Camargo e Luciano, e confessa que é
muito mais fácil lidar com duplas
formadas por irmãos. "Quando seu
parceiro não tem o seu sangue, tudo
fica mais difícil, existe uma competição
interna que, em algum momento,
pode estourar. Ser sombra do irmão
é uma coisa, mas se sentir inferior a
um parceiro que não é do seu
sangue é outra história. Uma hora ou
outra, alguém vai se sentir em
segundo plano e vai dar trabalho."

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