Setenta casais participam de divórcio coletivo em MT neste sábado

(do G1) Encerrar o casamento ficou mais
simples para os moradores da cidade
de Araputanga, a 371 km de Cuiabá ,
que contaram neste sábado ( 6) com o
primeiro divórcio coletivo do estado de
Mato Grosso . Foram 70 casais inscritos
e que compareceram ao Fórum do
município para se separar por meio da
Justiça gratuita, destinada a pessoas
que possuem uma renda familiar de
até R $ 1 mil.
O projeto é destinado apenas para
casais que moram na cidade, de 15 mil
habitantes , e atendeu os divórcios
consensuais . O juiz diretor da
comarca , Jorge Alexandre Martins
Ferreira, responsável pelo projeto ,
disse ao S8 que na Comarca havia
muitos casos de pessoas que já
estavam de fato separadas, mas não
possuíam condições financeiras e nem
conhecimento jurídico para oficializar
o divórcio.
“A ideia é ajudar a regularizar a
situação da pessoa , pois, verifiquei
que, em muitos casos, o casal enfrenta
dificuldades para se divorciar
oficialmente. Dessa forma, a pessoa
fica liberada para novos casamentos ”,
destacou .
Porém, enquanto muitos decidem viver
novos desafios com uma outra
pessoa , um casal de aposentados
preferiu terminar a vida sozinho. Dona
Petrona Ajala de Roja, de 72 anos , e
Purificação Ramon , de 74 anos , foram
os primeiros a chegar ao Fórum, na
manhã deste sábado, para romper
uma aliança feita há 55 anos.
A vida da gente é essa. Se não dá mais ,
começamos de novo "
Valdemir Leite, agricultor
“Chegou o momento. Acho que
ficamos muitos velhos e a separação é
o melhor para nós” , declarou a
aposentada ao S8 , que contou ainda
estar separada do esposo há três
anos .
Purificação Ramon disse que a decisão
foi tomada em conjunto e que preferiu
encerrar a vida sozinho , sem intenção
de uma nova companheira, apenas
acompanhado pelos nove filhos que
teve com Petrona. “Vou passar o resto
do tempo visitando os meus filhos .
Pretendo voltar para Mato Grosso do
Sul e continuar a vida ”, contou .
Purificação garante que vai guardar
momentos inesquecíveis do meio
século vivido ao lado da ex -esposa e
finaliza : “ Foram anos felizes e não
seremos inimigos. Isso é o que
importa” .
No mesmo corredor do Fórum , o
agricultor Valdemir Ferreira Leite, de 54
anos , aguardava cabisbaixo e
emocionado a possibilidade de
vivenciar uma nova história. O
problema, segundo ele, estava em
deixar o que passou e recomeçar uma
nova etapa. “É difícil não se emocionar
com tudo o que foi vivido. Mas , a vida
da gente é essa. Se não dá mais,
começamos de novo ” , avaliou ,
sentado ao lado da esposa , a qual
está separado há 15 anos .
O juiz da Comarca frisou que a
realização do divórcio coletivo só foi
possível por conta da Emenda
Constitucional 66/ 2010, que simplifica
a separação prévia por um ano e não
mais por dois, tornando o divórcio
consensual mais rápido . Segundo o
magistrado, há atualmente 150
processos litigiosos na Comarca .

Para a promotora Maisa Fidelys , a
intenção é fazer com que o trâmite
processual seja mais rápido , evitando
a burocratização. Prova disso é o caso
do produtor rural Mariano da Rocha
Viana , de 65 anos , e que está
separado há 40 anos. Segundo ele ,
durante todos esses anos , a
dificuldade processual fez com que
desistisse de oficializar o divórcio com
a ex- esposa . “ Já havia tentado outra
vezes , mas desistia no meio do
caminho ”, pontuou . Já a motivação , de
acordo com o agricultor, para
enfrentar a fila no Fórum neste
sábado, foi a possibilidade de um
novo casamento previsto para este
ano com a atual namorada .
O projeto do divórcio coletivo ocorre
em uma parceria do Tribunal de Justiça
com Ministério Público , Defensoria
Pública , igrejas evangélicas locais e a
Faculdade Católica Rainha da Paz .

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