Zona do Euro acerta novo resgate à Grécia

BRUXELAS, 21 de Julho de 2011 (AFP) -Os dirigentes europeus aprovaram nesta quinta-feira, em Bruxelas, um segundo pacote de resgate da Grécia, de quase 160 bilhões de euros, que prevê uma importante contribuição do setor privado e que foi recebido com entusiasmo pelos mercados.
O novo plano, com vigência desde 2011 até o final de 2014, busca tornar viável a dívida grega, ampliando os períodos de vencimento, reduzindo juros e contemplando novos mecanismos.
O acordo prevê um socorro de 158 bilhões de euros, com o apoio dos bancos, anunciou o chefe do governo italiano, Silvio Berlusconi, detalhando que 109 bilhões virão da Europa e do Fundo Monetário Internacional, e o restante, 49 bilhões de euros, procederá de uma contribuição do setor privado credor da Grécia.
Sobre esse último montante, 37 bilhões de euros sairão de uma "contribuição voluntária" dos bancos credores, enquanto que 12 bilhões de euros consistirão em amortizações da dívida no mercado.
O plano aumenta o prazo de reembolso dos créditos concedidos a Atenas dos atuais 7 anos e meio para ao menos 15 anos, podendo chegar a 30. Também reduz os juros de 4,5% para 3,5%. Estas condições serão aplicadas também a Portugal e Irlanda.
Os bancos credores da Grécia prometeram contribuir com 54 bilhões de euros em três anos, e 135 bilhões em 10 anos, segundo o Instituto Internacional de Finanças (IIF).
O IIF enumerou uma lista de 30 instituições financeiras voluntárias, 23 delas da União Europeia, três suíças, uma canadense, uma kwaitiana, uma peruana e uma sul-coreana.
"O programa oferece um conjunto de novos instrumentos aos investidores com o objetivo de alentar sua participação voluntária, com uma meta de uma taxa de participação de 90%, indica o IIF.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, revelou que no prazo de 30 anos o setor privado contribuirá com 135 bilhões de euros.
"No total, o esforço será de 135 bilhões de euros ao longo de 30 anos" para credores privados da Grécia, declarou Sarkozy. "Decidimos apoiar a Grécia quanto membro do euro. É um compromisso determinado".
Já o primeiro-ministro grego, George Papandreou, destacou que a Grécia verá sua dívida pública de 350 bilhões de euros ser reduzida em 26 bilhões de euros até o fim de 2014, graças ao novo plano decidido hoje.
"A redução é de cerca de 26 bilhões de euros" para o período, declarou à imprensa. Este valor representa 12% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Papandreou destacou que o país terá prazos mais longos para reembolsar os novos empréstimos e juros mais vantajosos, que reduzirão o serviço da dívida e permitirão "à Grécia recorrer aos mercados antes do previsto" para pedir empréstimos, o que atualmente não é permitido. "Isso dá um alívio à Grécia e à zona do euro", completou.
O chefe de governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, estimou que o "acordo baixará a tensão, além de gerar confiança" na zona do euro.
Na prática, a solução implica na renúncia dos credores de parte do montante da dívida que detém, e as agências de classificação de risco poderão considerar que trata-se de um default seletivo ou parcial da Grécia.
Em outras palavras, os líderes da zona do euro reconhecem que um não pagamento de Atenas é provável. "A Grécia está em estado de gravidade sem precedentes" e "necessita de uma solução excepcional", destaca a resolução.
"Os demais países da zona do euro reiteram solenemente sua determinação inflexível em honrar totalmente sua própria assinatura soberana", advertem, dando a entender que nenhum outro Estado poderá cair em default.
Antecipando o acordo, as principais bolsas europeias registraram hoje importantes ganhos. O euro acelerou sua alta em relação ao dólar, atingindo seu mais alto nível desde 6 de julho, acima de 1,44 USD.
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