Rebeldes líbios afirmam controlar a cidade petroleira de Brega

(da AFP) BENGHAZI, Líbia, 18 Julho 2011-Os rebeldes líbios afirmaram nesta segunda-feira que assumiram o controle da cidade petrolífera e portuária de Braga (leste da Líbia), uma importante conquista sobre as fuerças leais a Muamar Kadhafi.

"A maior parte do efetivo das forças de Kadhafi se retirou para Ras Lanuf" (50 km a oeste de Brega), declarou Shamseddine Abdelmolah, um porta-voz dos rebeldes, afirmando que entre 150 e 200 soldados foram para outro ponto estratégico de petróleo.

Abdemolah acrescentou que os soldados de Kadhafi que permaneceram em Brega estão ficando sem suprimentos.

Se confirmada a tomada de Brega, a 800 km a leste de Trípoli e a 240 km a sudoeste de Bengasi, reduto dos rebeldes, isso representa uma grande vitória dos rebeldes e permite que eles tenham a sua disposição infraestruturas vitais para o futuro econômico do país.

A batalha por Brega, no poder dos partidários de Kadhafi desde abril, começou na quinta-feira. Os rebeldes iniciaram um ataque à cidade em três frentes, pelo noroeste, leste e sudeste, até conseguirem chegar à entrada de Brega. Depois tiveram que sair da cidade para permitir os bombardeios da Otan.

Os combates deixaram 15 mortos e 274 feridos, entre eles alguns rebeldes. Os insurgentes tiveram que diminuir o ritmo dos avanços devido a minas terrestres e armadilhas com produtos inflamáveis nos arredores do importante centro petroquímico de Brega.

As instalações petroleiras parecem não terem sido incendiadas ou sabotadas, mas sofreram alguns danos.

A OTAN anunciou que seus aviões destruíram onze veículos militares e um centro de controle nos arredores de Brega.

Além de poder abastecer de combustíveis os insurgentes, a instalação localizada na ponta sudeste do Golfo de Sirta permitiria à rebelião, no caso de ocuparem em bom estado, melhorar a situação financeira exportando petróleo.

O grupo de contato, reunido na quinta-feira em Istambul, reconheceu o Conselho Nacional de Transição (CNT) como a representação política da rebelião como "autoridade governamental legítima" na Líbia, permitindo assim que ela estabeleça relações econômicas com outros países. Embora a Rússia tenha se pronunciado contra essa iniciativa.

Num momento em que praticamente nenhum barril de petróleo sai da Líbia, o coronel Kadhafi advertiu os rebeldes no sábado: "O povo líbio está disposto a morrer para defender seu petróleo e nunca deixará esta riqueza nas mãos de traidores submetidos à Otan".

"Pedem para que eu saia da Líbia, é uma bobagem. Não vou abandonar a terra dos meus antepassados, nem meu povo que tem se sacrificado por mim", exclamou Kadhafi num discurso transmitido na noite de sábado em Zawiyah, a 50 quilômetros a oeste de Trípoli.

Na região oeste, pelo menos 23 insurgentes ficaram feridos na madrugada de segunda-feira em combates a 20 km de Misrata, reduto rebelde a 200 km de Trípoli, segundo membros rebeldes.

Os rebeldes também afirmaram que os partidários de Kadhafi bombardearam suas posições a poucos quilômetros do centro de Zliten (oeste), o próximo alvo a 150 quilômetros a leste de Trípoli.

Por sua vez a Otan anunciou ter bombardeado uma antena de radar do principal aeroporto da capital, utilizada antes para o controle aéreo civil, mas que agora tinha fins militares.

No sudoeste de Trípoli, os rebeldes consolidaram suas posições depois dos importantes avanços no começo do mês.

Houve trocas de disparos de foguetes entre as tropas leais ao regime e os insurgentes em Gualich e Bir Ayad, assim como na cidade estratégica de Al-Assabaa, a 80 quilômetros ao sul da capital.

"O mais importante é manter os territórios que temos conquistado e garantir esses pontos antes de atacarmos", afirmou à AFP ol general Mokhtar Farnana, comandante dos rebeldes na região.
Categorias:

0 comentários