(da Valor Online) SÃO PAULO - A manutenção de um cenário internacional conturbado e a adoção de nova medida macroprundencial pelo Banco Central (BC) estimulam a redução dos prêmios de risco na curva brasileira de juros futuros.
A falta de um desfecho para a crise fiscal grega e o medo de contágio para economias de maior porte, como Itália e Espanha, continuam a se refletir em cautela dos agentes.
Aqui no Brasil, as atenções recaem sobre a decisão do BC, que aprovou hoje uma circular que determina o aumento do fator de ponderação de risco (FPR) para contratos de cartão de crédito consignado com possibilidade de pagamento superior a 36 meses para 150% e, desta forma, equipara este tipo de cartão às demais operações de consignado.
A intenção da instituição é desestimular as operações de financiamento consignado no cartão com prazos longos. Para os cartões de crédito consignado com limite inferior a esse período de tempo, permanece o FPR de 75%.
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o Depósito Interfinanceiro (DI) de abertura de 2013 apresentava queda de 0,03 ponto percentual por volta das 12h20, a 12,64%, o de janeiro de 2014 recuava 0,05 ponto, a 12,65%, e o do início de 2015 cedia 0,05 ponto, a 12,61%. Além disso, o contrato de abertura de 2017 caía 0,04 ponto, a 12,44%.
Entre os contratos de vencimentos mais curtos, o de outubro de 2011 perdia apenas 0,01 ponto, a 12,42%, enquanto o início de 2012 registrava decréscimo de 0,02 ponto, a 12,46%.
O estrategista de renda fixa da Coinvalores Paulo Nepomuceno assinala que a leitura do mercado é de que a nova medida do BC tira pressão sobre o ciclo de aperto monetário em curso. Embora já exista um consenso de que a taxa Selic será elevada em 0,25 ponto percentual nesta semana, para 12,50%, o mercado ainda está dividido sobre o próximo passo do BC, na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom).
Nepomuceno já trabalhava com um cenário de interrupção do ciclo neste encontro de julho e ressalta que a decisão do BC só reforça esta perspectiva. Além disso, parte do mercado está de olho em mais medidas macroprudenciais a ser adotadas pelo BC, provavelmente voltadas ao câmbio, que também podem surtir efeito sobre o mercado de juros.
Ainda no ambiente nacional, o Boletim Focus, do Banco Central, mostrou uma interrupção no aumento das projeções inflacionárias deste e do próximo ano, o que, por si só, já é um fator de alívio no curto prazo, diz Nepomuceno.
O mercado manteve a previsão para a alta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2011 em 6,31%, assim como a estimativa para 2012 foi preservava em 5,20%.
Para os próximos 12 meses, o mercado espera inflação de 5,37%, ante a expectativa anterior de 5,29% para o mesmo período.


.png)
0 comentários