IPC-S caminha para taxa positiva no final de julho, diz FGV

(do Estadão) SÃO PAULO - A desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) na primeira quadrissemana de julho era previsível e a tendência é que o indicador caminhe para o terreno positivo no encerramento do mês. A avaliação é do economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) André Braz que, em entrevista à Agência Estado, nesta sexta-feira, 8, disse que, apesar da dificuldade de se prever um resultado para o final de julho, aguarda uma taxa pouco acima de zero, especialmente devido à tendência de recuperação dos preços, ainda em queda, dos combustíveis e dos alimentos in natura.

Nesta sexta, a FGV divulgou que o IPC-S apresentou queda de 0,11% na primeira leitura de inflação de julho. O resultado negativo foi menos expressivo que a baixa de 0,18% registrada no encerramento de junho. Entre os grupos pesquisados, mereceram destaque os recuos menores do grupo Transportes (de -0,72% ante -1,09%) e do grupo Alimentação (de -0,77% ante -1,03%). Nestes conjuntos de preços, as principais contribuições para a desaceleração da queda partiram, pela ordem, da gasolina, cuja queda passou de 3,42% para 2,52%, e do segmento de Hortaliças e Legumes, cujo declínio diminuiu, de 3,99% para 2,89% entre o final de junho e o começo de julho.

"A queda de 0,11% já era previsível, porque tivemos como âncora para a deflação do mês passado a parte de alimentação in natura e os combustíveis. Esse efeito é transitório, pois não vivemos, na realidade, um período de inflação negativa", afirmou Braz, lembrando que, em virtude do peso importante destes segmentos de preços, há uma influência muito forte no IPC-S quando eles sobem ou caem muito. "O que mostra melhor que não vivemos esse contexto de inflação negativa são os núcleos, que, acima de 0,40%, mostram que o patamar ainda é elevado", explicou.

Para o economista, como o efeito da queda dos alimentos in natura e dos combustíveis é transitório, o movimento destes segmentos deve "perder força" no decorrer do mês de julho. "Esse movimento do índice divulgado hoje foi o primeiro que já mostra uma queda menos intensa", observou. "Ela tende a se tornar cada vez menor ao longo do mês e, ao chegar no final de julho, já deveremos estar com o IPC-S em taxa positiva, porque essas quedas de in natura também devem caminhar para níveis próximos de zero até se tornarem uma variação positiva. Da mesma forma, isso deve acontecer com os combustíveis", opinou.

Segundo Braz, a pressão para inversão do IPC-S em julho poderia até ser maior, se a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não tivesse adiado recentemente um reajuste de tarifas da AES Eletropaulo que aconteceria neste ano. Como a área de abrangência da distribuidora envolve a cidade de São Paulo, um aumento poderia trazer forte pressão para a inflação pelo IPC-S. "Se o aumento viesse no mesmo tamanho dos reajustes que tivemos em outras cidades no primeiro semestre, haveria um grande impulso de aceleração nos índices de inflação", comentou. "Como o reajuste não acontecerá agora, o efeito de aceleração no IPC-S tende a ser um pouco mais lento", disse.
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