(do Estadão) MADRI - A nova presidente da região autônoma de Castela-La Mancha, na Espanha, Maria Dolores de Cospedal, afirmou que o déficit no orçamento local é o dobro do pensado anteriormente. A informação levantou novas preocupações sobre o real estado das finanças regionais do país e colaborou para fazer o prêmio de risco espanhol atingir novas máximas históricas nesta segunda-feira, 11.
Cospedal disse que seu governo vai apresentar nesta terça os primeiros resultados da auditoria que ela anunciou depois de ter sido escolhida nas eleições regionais e municipais realizadas em 22 de maio. "Com as dívidas que nós encontramos não pagas a partir de 30 de junho, o déficit é muito maior do que tinham nos dito", afirmou Cospedal em entrevista à rádio Onda Cero.
"Amanhã nós vamos ver o número exato (...), mas ele provavelmente será bem maior do que 4%", acrescentou a presidente da região, que também é a segunda autoridade nacional mais importante do oposicionista Partido Popular. O governo anterior de Castela-La Mancha, do socialista José Maria Barreda, havia informado que a região tinha déficit orçamentário equivalente a 1,78% do Produto Interno Bruto (PIB) local em abril, acima do limite de 1,3% do PIB determinado pelo governo central para as 17 regiões autônomas espanholas.
Roberto Ruiz, estrategista do UBS em Madri, afirmou que a notícia sobre Castela-La Mancha "espalhou as chamas" das preocupações sobre as finanças da Espanha. A região, que teve em 2010 um déficit no orçamento de 6,5% do PIB, o mais alto de todas as regiões espanholas, já era conhecida por seus problemas financeiros. A revelação de que o déficit é pior do que o pensado anteriormente "mostra uma tendência perigosa", comentou Ruiz.
Em boa parte como consequência do aumento do nervosismo dos investidores com a incapacidade da Europa de resolver os problemas financeiros da Grécia, o prêmio de risco da Espanha e da Itália - medido pelo spread dos yields (retorno ao investidor) dos bônus soberanos de 10 anos sobre os títulos alemães - subiu hoje para novos recordes.
As regiões espanholas controlam mais de um terço dos gastos do país e são essenciais para os planos do governo central de cortar o déficit geral do setor público de pouco mais de 9% do PIB em 2010 para 3% do PIB em 2013. Mas até agora houve pouco progresso nas reformas orçamentárias ordenadas pelo governo de Madri.


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