(do Estadão) LONDRES - Os principais índices do mercado de ações da Europa fecharam em queda, refletindo a decepção do mercado com os dados sobre o emprego nos EUA. Os papéis do setor financeiro registraram algumas das perdas mais significativas, especialmente nas bolsas da chamada periferia da zona do euro, recebendo pressão adicional da cautela dos investidores antes da divulgação, na semana que vem, dos testes de estresse das instituições financeiras europeias.
"Podemos procurar muitas desculpas para não vender, mas francamente, se o mercado quer seguir uma certa lógica, devemos abandonar o navio até termos mais visibilidade e isso acontecerá quando os resultados (dos testes) forem publicados", disse Predrag Dukic, vendedor de ações da CM Capital Markets em Madri. "Parece que avançamos três passos e recuamos dois."
Dukic disse também que os investidores estão preocupados com o desempenho dos bancos da Espanha nos testes de estresse. "O spread (diferença) entre os bônus espanhóis e da Alemanha está aumentando como resultado dos receios de disseminação da crise da Grécia."
De acordo com ele, os mercados também estão esperando para avaliar o desempenho da oferta pública inicial de ações do Bankia, maior banco de poupanças da Espanha, prevista para 20 de julho. "Os investidores vão esperar para ver se será um sucesso ou um fracasso e definir a direção do setor e da economia espanhola", avaliou.
O índice pan-europeu Stoxx 600 caiu 2,17 pontos, ou 0,79%, para 273,76 pontos. Na Bolsa de Londres, o FTSE-100 recuou 63,97 pontos, ou 1,06%, para 5.990,58 pontos. Em Paris, o CAC 40 perdeu 66,41 pontos, ou 1,67%, para 3.913,55 pontos. Na Bolsa de Frankfurt, o Xetra DAX fechou em queda de 68,71 pontos, ou 0,92%, a 7.402,73 pontos.
Em Milão, o índice FTSE MIB caiu 685,75 pontos, ou 3,47%, para 19.049,88 pontos. O IBEX 35, da Bolsa de Madri, recuou 258,00 pontos, ou 2,53%, para 9.938,20 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 teve queda de 103,66 pontos, ou 1,43%, para 7.151,07 pontos. O ASE, da Bolsa de Atenas, perdeu 13,13 pontos, ou 1,04%, para 1.251,10 pontos.
Na semana, o índice FTSE MIB teve o declínio mais acentuado, de 7,15%, seguido por IBEX 35 (-5,28%), ASE (-4,38%), PSI 20 (-2,47%), CAC 40 (-2,34%), Stoxx 600 (-0,42%) e Xetra DAX (-0,23%). O FTSE 100 teve um levíssimo aumento, de 0,01%.
Nos EUA, dados do governo mostraram que a economia do país criou 18 mil empregos em junho, leitura que ficou bem abaixo da estimativa de economistas consultados pela Dow Jones, que esperavam a geração de 125 mil postos de trabalho. Além disso, os números dos dois meses anteriores foram revisados para baixo, para mostrar que foram criados apenas 25 mil empregos em maio e 217 mil em abril. Há 14,1 milhões de norte-americanos em busca de trabalho nos EUA.
Os indicadores geraram receios de que a desaceleração no crescimento da economia norte-americana pode ser mais forte do que se esperava.
Entre os destaques da sessão, o Commerzbank recuou 2,1% e o Deutsche Bank perdeu 2,2%, em Frankfurt. Em Paris, caíram BNP Paribas (-3,9%), Crédit Agricole (-4%) e Société Générale (-3,9%). Na Bolsa de Madri, fecharam em baixa BBVA (-4,9%) e Santander (-3,8%), enquanto em Milão o Unicredit teve declínio de quase 8%.
As ações do setor de mídia também estavam em foco nesta sexta-feira depois de a News Corp. ter anunciado ontem que vai fechar o tabloide britânico News of the World porque a publicação usava grampos telefônicos ilegais para obter informações. A News Corp. também é proprietária da Dow Jones, que produz parte do material editado e distribuído pela Agência Estado.
Os papéis do Daily Mail & General Trust fecharam em alta de 0,1%, enquanto os da British Sky Broadcasting Group - empresa na qual a News Corp. também possui participação - recuaram 7,6%.


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