Para conter protestos, rei do Marrocos promete reformas constitucionais

(do Estadão) Em discurso considerado histórico, o
rei Mohammed 6º, do Marrocos,
anunciou nesta sexta-feira propostas
para "amplas reformas
constitucionais", que, segundo ele,
consolidarão instituições democráticas
e garantirão direitos humanos e
liberdade de expressão no país norte-
africano.
Entre as propostas do monarca estão
dar mais poder ao primeiro-ministro
eleito por voto popular e ao
Parlamento - reduzindo, assim, os
poderes do próprio rei, que no
entanto seguiria como chefe das
Forças Armadas e como a principal
autoridade religiosa do país, segundo
as agências de notícias.
Mohammed ressaltou que se manterá
como o "guia" e "árbitro supremo" do
país.
O rei também quer dar ao país uma
nova língua oficial (o berber, além do
árabe).
As propostas, que serão submetidas a
referendo popular em 1º de julho,
foram elaboradas por um painel
designado por Mohammed 6º.
As ideias de mudança são uma reação
a fortes protestos antigoverno no
Marrocos, decorrentes da alta no
desemprego e da pobreza e
inspirados nas revoluções ocorridas
na Tunísia e no Egito.
'Transição significativa'
"Falo a vocês (referindo-se ao povo)
para renovar nosso compromisso
conjunto de alcançar uma transição
significativa (para) um Estado de
direito e instituições democráticas",
disse o rei no discurso televisionado
desta sexta.
O sucesso das medidas, caso
aprovadas, poderá servir de
termômetro para outros países árabes
que enfrentam levantes populares.
O discurso do rei foi comemorado por
parte da população marroquina na
noite desta sexta-feira. Mas muitos
ativistas antigoverno, porém, são
céticos quanto ao alcance das
reformas propostas, alegando que a
monarquia do país - existente a 400
anos - já propôs mudanças antes que
acabaram por se provar superficiais.
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