Líbia acusa Otan de bombardear área residencial em Trípoli

(do Estadão) A Otan diz estar investigando o
suposto bombardeio de uma área
residencial da capital da Líbia, Trípoli.
O governo acusa a coalizão ocidental
pelo ataque. Um correspondente da
BBC viu pelo menos dois corpos
sendo levados de uma casa atingida.
O prédio destruído, de três andares,
fica em Souk Al-Juma, uma área
residencial localizada a cerca de 1,5km
de um campo de pouso militar que já
foi diversas vezes atacado pelas forças
ocidentais.
O correspondente da BBC em Trípoli
Jeremy Bowen afirma que, ao chegar
ao local do incidente, levado por
representantes do governo, viu
equipes de resgate e moradores
escavando em meio aos destroços,
em sua maior parte com as próprias
mãos, procurando por sobreviventes
ou por corpos.
Vizinhos afirmam que a explosão
ocorreu pouco depois de 1h deste
domingo (20h de sábado, pelo
horário de Brasília). Segundo Bowen,
o prédio atingido parecia ser a casa
de uma família, tendo sinais genuínos
de um ataque aéreo ou com mísseis.
Bowen afirma ainda que, desta vez, ao
contrário de casos anteriores de
supostos alvos civis atingidos por
forças da Otan, não foram vistas
pessoas tremulando bandeiras em
defesa do líder líbio, coronel Muamar
Khadafi.
Este incidente se segue a um
bombardeio por engano da Otan
contra combatentes rebeldes próximo
à cidade de Ajdabiya, no leste da Líbia,
ocorrido na última quinta-feira. Na
ocasião, 16 homens ficaram feridos. A
coalizão militar se desculpou pelo
caso.
Segundo o correspondente da BBC,
caso o incidente deste domingo se
confirme como um ataque da Otan,
questões poderão ser levantadas
sobre o que a coalizão internacional
está fazendo na Líbia, e sobre os
resultados que ela está obtendo.
Sem dinheiro
Enquanto isso, o ministro de Finanças
e de Petróleo dos rebeldes líbios, Ali
Tarhouni, diz que os insurgentes
estão sem dinheiro, e acusa os países
ocidentais de falta de apoio logístico e
financeiro.
Em entrevista à agência Reuters,
Tarhouni disse que a produção de
petróleo nas cidades controladas
pelos rebeldes está paralisada devido
aos danos causados pelo conflito. No
entanto, o ministro disse estar
confiante na reversão do quadro.
Além disso, Tarhouni disse já estar em
negociação com grandes companhias
petrolíferas ocidentais, com quem
pretende lançar parcerias estratégicas.
No entanto, segundo a
correspondente de diplomacia da BBC
Bridget Kendall, que está em
Benghazi, principal base dos
insurgentes, o apoio dos aliados em
termos de ataques contra posições de
Khadafi parece, de formas gerais,
continuar forte.
Kendall afirma que há muita
preocupação e frustração em
Benghazi a respeito do conflito, que já
se estende há quatro meses, desde
que o regime líbio reprimiu com
violência manifestações populares que
exigiam reformas e a saída de Khadafi
do poder.
A correspondente da BBC diz, no
entanto, que esta frustração parece se
originar mais da impaciência dos
rebeldes do que de qualquer tipo de
hostilidade contra os países
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