(da Espn) Andrés Sanchez costuma dizer que "o Corinthians
é maioria em todos os segmentos". O presidente
sabe, porém, que isso pode não ser levado em
conta na Câmara Municipal de São Paulo, que
votará, na semana que vem, projeto de lei do
prefeito Gilberto Kassab para liberar incentivos
fiscais na construção do estádio do clube, em
Itaquera, Zona Leste da capital.
"Esse texto não tem unanimidade na casa", admite
o vereador Paulo Frange (PTB), presidente da
Subcomissão da Copa do Mundo de 2014 -
constituída no âmbito da Comissão de Política
Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente -, que
visitou as obras na manhã desta sexta-feira, com
outros seis vereadores - também favoráveis ao
projeto - e o mandatário corintiano.
O projeto terá que passar por duas discussões e
votações, com intervalo mínimo de 48 horas entre
os turnos. A primeira votação deve ocorrer na
quarta-feira, véspera do feriado de Corpus Christi.
Dos 55 vereadores paulistanos, no mínimo 28
(maioria) precisam ser favoráveis ao texto para que
ele seja aprovado. Esse enlace necessário, contudo,
ainda não está garantido.
Marco Aurélio Cunha (Democratas) é um dos
principais opositores do projeto. "Está equilibrada
(a projeção de votos). Tem uma bancada corintiana
que não pensa, só vota, e outros que querem
entender o projeto. Isso está sendo feito a toque
de caixa (às pressas) e para um investimento
privado. Não sei nem se é constitucional", analisa o
vereador, que é também conselheiro do rival São
Paulo.
Ciente da situação, Sanchez deve participar da
audiência pública na terça-feira à tarde, quando o
texto será lido em Plenário. É provável ainda que o
dirigente, filiado ao PT (partido de oposição ao
governo), vá à Câmara pela manhã para convencer
vereadores contrários aos incentivos para o estádio
de 65 mil lugares e apto a receber a partida
inaugural do Mundial, em 2014.
O texto foi encaminhado com urgência porque o
Corinthians deve apresentar as garantias
financeiras da construção à Fifa até 12 de julho,
sendo que o recesso dos vereadores tem início no
dia 1º do mesmo mês. No valor de R$ 420 milhões,
os incentivos fiscais representariam grande parte
do investimento nas obras - o resto deve ser
levantado com empréstimo do BNDES.
"A lei precisa ser aprovada no menor prazo
possível, porque os incentivos são fundamentais
para compor a segurança da sociedade entre
Corinthians e Odebrecht, que terá que apresentar
as garantias à Fifa. Não tendo isso, não tem
abertura em São Paulo", conclui Paulo Frange.
ENTENDA COMO SERIAM OS INCENTIVOS Por
meio da construtora Odebrecht, o clube receberá
os incentivos fiscais em CIDs (Certificado de
Incentivo ao Desenvolvimento), títulos que
totalizarão R$ 420 milhões e poderão ser vendidos
no mercado, com deságio (valor inferior) de 20%,
em vez de serem usados para pagar impostos
futuros após a obra concluída.


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