(da BBC) Felipe e Marcela, filhos adotivos da
empresária Ernestina Herrera de
Noble, dona do jornal Clarín, vão
realizar novo exame de sangue para
que o resultado seja comparado com
o DNA de todos os familiares das
vítimas do regime militar da Argentina
(1976-1983), segundo informou nesta
sexta-feira o advogado dos herdeiros
da empresária.
"Eles decidiram se apresentar
espontaneamente para um novo
exame de sangue e aceitaram que a
comparação seja feita com todo o
banco de dados do Banco Nacional
de Dados Genéticos", disse o
advogado Horácio Silva.
O banco reúne principalmente
amostras de pessoas ligadas aos
sequestrados, mortos e
desaparecidos durante o regime
militar.
A decisão de Felipe e Marcela foi
anunciada 15 dias depois que a
Justiça determinou o teste
"obrigatório" de sangue dos herdeiros
do grupo Clarín, o principal da
Argentina, atendendo pedido da
entidade de direitos humanos Avós da
Praça de Maio.
Resultado negativo
Marcela e Felipe foram adotados pela
empresária há cerca de 35 anos e já
fizeram exames de sangue, com
resultado negativo, comparando seus
dados genéticos com os de uma
família que procura netos
sequestrados ainda bebês durante o
regime militar.
No entanto, as Avós da Praça de Maio
pedem que novo exame seja feito,
para fazer a comparação com todos
os dados reunidos no banco de DNA.
"Comparar com um só período ou
uma só família e dar (à empresária)
um privilégio que ninguém teve.
Estamos falando de dois jovens que
foram sequestrados ainda bebês e
que, como todos os demais, devem
ter o direito de conhecer sua
verdadeira identidade", disse a
presidente da entidade, Estela de
Carlotto.
Segundo ela, as famílias das vitimas
da ditadura esperam "por este
momento há quase dez anos".
Escolha dos herdeiros
Segundo o advogado dos herdeiros,
eles ainda teriam o direito a recorrer
da sentença na Suprema Corte de
Justiça, que os obrigaria a novo
exame.
No entanto, ambos optaram por
"esclarecer tudo o quanto antes",
segundo Horácio Silva.
"Marcela e Felipe acham que o direito
à identidade é uma decisão pessoal,
mas diante desta situação eles
resolveram tomar esta iniciativa",
disse.
Em seu site, o jornal Clarín publicou
nesta sexta-feira uma reportagem em
relação ao caso com o título: "Oito
anos, três exames de sangue e uma
perseguição sem antecedentes".
Já o site da agência oficial de noticias,
Telam, destacou: "Fontes ligadas ao
caso acham suspeita a guinada na
decisão dos (irmãos Felipe e Marcela)
Noble Herrera de comparar o sangue
com todo o banco de dados".


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