(do Estadão)
O presidente da Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal
Raymundo Damasceno, defendeu
hoje, em entrevista, que a parte da
sociedade que é contra o uso da
maconha e outros tipos de droga
deveria se mobilizar e promover uma
"marcha contra a maconha". O
cardeal preferiu não questionar a
decisão do Supremo Tribunal Federal
(STF) que, na quarta-feira, 15, liberou
as manifestações a favor do consumo
da droga, justificando que o STF "não
fez apologia ao uso da maconha", mas
apenas permitiu a manifestação em
favor da "descriminalização do
dependente da maconha".
Para o cardeal, a sociedade deve estar
"atenta" e não pode se deixar levar
pela posição de parte da sociedade,
ainda que possa parecer uma grande
parte. "As pessoas que se opõem ao
uso da droga devem ter também uma
posição clara e que se manifestem
também. Não se trata de manifestar só
a favor da descriminalização da
maconha, trata-se de, quem é contra a
maconha, se manifestar contra",
declarou ele, incentivando as "muitas
vitimas na nossa sociedade" a
organizarem estas marchas contra a
maconha.
"Estas pessoas deveriam aproveitar
para fazer manifestações contrarias ao
uso das drogas. É isso que
queremos", afirmou. "Não queremos
jovens anestesiados, indiferentes a
situações que vivemos e não
concordamos", prosseguiu,
incentivando a jovens a se levantarem
não só contra o uso da maconha ,
mas também contra a corrupção. "A
sociedade tem de se acordar contra o
que se passa na vida pública",
acentuou.
Depois de ressalvar que o
dependente de drogas não deve ser
criminalizado, mas tratado, como a
própria Igreja faz em diversos centros,
o cardeal Damasceno reiterou que
"não se pode permitir de qualquer
forma de tráfico, a produção e a
comercialização das drogas". Ele
insistiu que "a Igreja se opõe ao uso
de qualquer tipo de droga, a não ser
em casos terapêuticos, quando cabe
ao médico decidir se usa ou não
determinada droga, em benefício do
paciente".


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