Paquistão rejeita relatório da Otan sobre laços com Taleban afegão



(do UOL) A ministra das Relações Exteriores do Paquistão, Hina Rabbani Khar, afirmou nesta quarta-feira que seu país não tem nenhum assunto tratado em segredo com o Afeganistão, em resposta ao relatório da Otan, a aliança militar do Ocidente, indicando que Islamabad possuía relações com o Taleban afegão.


Segundo Khar, as informações do documento vazado --divulgadas nesta quarta-feira pela imprensa britânica-- são "um vinho velho dentro de uma garrafa ainda mais velha".


O relatório secreto apontou, de acordo com a emissora britânica de TV BBC e o jornal "The Times", que o grupo extremista islâmico Taleban no Afeganistão está sendo ajudado pelo governo paquistanês, em especial por suas forças de segurança.


"Essas alegações já vieram à tona muitas e muitas vezes. O Paquistão defende qualquer iniciativa que o governo afegão tome pela paz", disse a ministra.


Mais cedo, o governo do Paquistão já havia rebatido as conclusões do relatório, com o Ministério de Relações Exteriores chamando as acusações de "ridículas".


"Desenvolvemos uma política de não interferência no Afeganistão e esperamos que os outros países respeitem estritamente este princípio", declarou o porta-voz do ministério, Abdul Basit. "Nosso interesse está em ter um Afeganistão estável e em paz. Não podemos apoiar uma atividade que nos leve para longe desse objetivo".


O relatório foi feito com base em um material colhido durante 27 mil entrevistas e interrogatórios com mais de 4.000 pessoas capturados por envolvimento com o Taleban, a rede terrorista Al Qaeda e outras milícias e organizações terroristas internacionais.


Após a reação do governo paquistanês, a Força da Otan no Afeganistão (Isaf) minimizou o relatório e afirmou que o documento é apenas uma "compilação de comentários a partir do qual não se devem tirar conclusões" precipitadas.


RELATÓRIO


De acordo com os veículos britânicos, o relatório foi produzido com base em informações obtidas com insurgentes detidos e foi entregue aos comandantes da Otan no Afeganistão no mês passado. O documento vazado afirma ainda que o Taleban continua forte e possui grande apoio entre o povo afegão.


Citado pela agência de notícias Associated Press, um funcionário da aliança disse que os presos apontaram ainda ter confiança de que voltarão ao poder no país, após a coalizão liderada pelos Estados Unidos retirar suas tropas em 2014.


De acordo com a BBC, o documento expõe pela primeira vez as relações entre o grupo extremista e o ISI, o serviço de inteligência do Paquistão --que, inclusive, saberia onde moram os principais líderes talebans. Alguns deles morariam nos arredores da sede do órgão em Islamabad.


Um ex-membro da Al Qaeda é citado dizendo que "o Paquistão sabe tudo. Eles controlam tudo. Não posso subir em uma árvore em Kunar sem que eles observem". E continua: "O Taleban não é o Islã. O Taleban é Islamabad".


INFLUÊNCIA


Mesmo com a estratégia da Otan em garantir a segurança do país com as forças afegãs, o relatório levanta suspeitas de que há uma grande colaboração entre insurgentes e o Exército e a polícia do Afeganistão.


"Há muito tempo estamos preocupados em relação aos laços entre elementos do serviço de inteligência do Paquistão e algumas redes sociais de extremistas", afirmou o porta-voz do Pentágono, o capitão John Kirby.


O documento aponta um aprofundamento do apoio da população do país ao Taleban, e mostra sua influência crescendo, enquanto a da Al Qaeda diminui.


O Taleban já recuperou o controle sobre boa parte do território afegão e desfruta do apoio de muitos afegãos revoltados com as mortes de civis provocadas por tropas americanas e ocidentais.

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